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Historia

A historia do Santuário de Nossa Senhora de Montserrat de Serrinha da prata-Saloá PE

Nossa Senhora de Monserrate  ou Virgem Negra de Montserrat (em catalãoMare de Déu de Montserrat, que significa “Mãe de Deus do Monte Serreado” é uma imagem de Maria, a mãe de Jesus Cristo, localizada no Mosteiro de Santa Maria de Montserrat, no município de Monistrol de Montserrat, na província de Barcelona, na Catalunha, na Espanha. É conhecida popularmente como La Moreneta (“A Morena”)

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  HISTORIA DO MONTSERRAT  ESPANHA

    Segundo a lenda, a imagem teria sido construída por São Lucas e levada ao seu atual local, o Montserrat, na Catalunha, por São Pedro no ano 50. No século VIII, durante a invasão muçulmana da Península Ibérica, teria sido escondida por devotos numa caverna. A imagem teria sido reencontrada somente no ano 880, por um grupo de crianças. Um bispo teria, então, tentado levá-la para a cidade de Manresa, mas a imagem teria se tornado pesadíssima, impedindo seu translado. O bispo teria interpretado o fato como um milagre e como um sinal de que a imagem deveria permanecer no local. Teria, então, sido construído o Mosteiro de Santa Maria de Montserrat no local, para abrigar a imagem.
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 Historia do Montserrat de Serrinha da Prata

   A devoção a nossa Senhora de Montserrat é antiga, desde de 1911 em Serrinha da Prata. Essa Fé ficou mais intensa quando em 1911 ouve uma epidemia no povoado causando a morte de vários habitantes, com isso os sobreviventes fizeram uma promessa a nossa Sra de Montserrat para acabar com a peste. Com a promessa realizada a peste foi extinta.
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E em 2015 foi construído um monumento em uma colina de 190 m altura em homenagem á nossa senhora de Montserrat. Segundo Jean Dantas (pedreiro da obra) Frei Bosco (idealizador da obra) estava em um belo dia na praça de repente ele teve uma visão em que o Santuário de Sra de Montserrat, teria que ser construído em Serrinha da Prata, e assim foi construído, e em 30 de outubro de 2015 foi inaugurado. Desde então o turismo religioso aumentou em Serrinha da Prata e chamou a atenção dá TV Asa Branca e da Globo Nordeste que fizeram reportagens sobre o assunto.
https://www.youtube.com/watch?v=hzCvoSTJb2M
https://www.youtube.com/watch?v=0KWah6nFdNg

A Fundação Giacomo e Lucia Perrone

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A Fundação Giacomo e Lucia Perrone é uma entidade civil, com personalidade 

jurídica de direito privado, sem fins lucrativos. Foi fundada em julho de 2002 pelo sacerdote e professor italiano Don Michele Perrone e tem como objetivo prestar assistência  gratuita, da melhor maneira possível a crianças carentes com problemas neurológicos e comprometimento neuropsicomotor.

 As crianças recebem atendimento Terapêutico nos serviços de fonoaudiologia, Fisioterapia, Terapia Ocupacional e Psicologia; além de Assistência Social, Odontológica e Pediátrica e Psicopedagogia,visando melhorar sua qualidade de vida e também de seus familiares. 

A Fundação sobrevive através de doações em recursos financeiros, em serviços, materiais e equipamentos.

As crianças atendidas estão situadas na faixa etária de zero a doze anos, habitantes da Região Metropolitana do Recife e do interior do Pernambuco.

 Cerca de 50% delas são cadeirantes ou de colo; 90% delas se encontram em risco social e a família é composta em média por quatro pessoas que moram em casa alugada ou emprestada. A maioria tem como renda familiar um salário mínimo, que geralmente é o benefício do governo dado à criança.

Atualmente as crianças  atendidas são 130 e com uma lista de espera.                                                                                                                  

Este centro terapêutico é  fruto da caridade,da solidariedade e do empenho  de  pessoas sensíveis, que  diante de  situações de  pobreza e de abandono, Não  ficam  indiferentes.

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As  crianças  precisam de nós,

 

                                       E  nós  precisamos  de  VOCÊ!

 

                Para dar continuidade e segurança à OBRA GRATUITA da 

 

Fundação Perrone a maneira mais simples é dar uma CONTRIBUIÇÃO FIXA, aderindo Campanha AMIGO SOLIDÁRIO.

Contato:   Barbara Rodrigues     9 96475121 / 34624375

A mais nova devoção Mariana da Igreja: Nossa Senhora do Equilíbrio

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Santuário de Nossa Senhora de Montserrat em Serrinha da Prata – Saloá PE

     No Século XIX, a imagem de Nossa Senhora de Montserrat já era venerada no Oratório da Família do Mestre Vicente em Serrinha. Com muita

piedade cristã na prática de um catolicismo doméstico muito fervoroso, a catequese era transmitida de pais para filhos baseada nos ensinamentos bíblicos da “Missão Abreviada”.

     No inicio do Século XIX  houve uma epidemia de doença desconhecida causando a morte dos poucos habitantes da localidade. Então, diante deste sagrado vulto da Virgem foi feita uma promessa e logo de imediato cessaram as mortes, para os sobreviventes, aconteceu um milagre por intercessão da Virgem de Montserrat. Em 1911 a promessa cumprida e construíram uma igrejinha de taipa junto aos corpos sepultados das vítimas da epidemia, dedicada à Nossa Senhora de Montserrat, que passou a ser a primeira padroeira de Serrinha. Neste Mesmo ano Dom Luiz Raimundo da Silva Brito, bispo de Olinda, teve conhecimento dos fatos e reconheceu esta comunidade que surgia diante de túmulos e se reunia agora numa capela para rezar, e enviou a Pedra D’ara com documento carimbado a Marca d’Água com as seguintes Inscrições.  

“Está Pedra Consagrei dia 10 de Fevereiro de 1911, Luiz Bispo de Olinda.

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No ano de 1923 com a demolição da capela de taipa e com a construção atual sobre a antiga, “feita por diversos católicos sobre a orientação de Cipriano Oliveira e Mestre Vicente”, Pe. Alfredo Dámaso entronizou São Sebastião como padroeiro oficial de Serrinha da Prata. Em 1926 o mesmo Padre afirma: “Está situada entre Mocambo e Prata – ao sopé da Serra e foi reconstruída”. 

     A devoção à Santa de Montserrat continuo forte sendo festejada no dia 30 de Outubro. Segundo uma sobrinha do Mestre Vicente: ” Ele foi o grande divulgador, reunia a comunidade e pedia que todos trouxessem uma vela para este dia tão especial”. Após sua morte em 1975 um grupo de fieis deu continuidade até hoje, portanto este ato de  fé que reuniu a todos e formou uma comunidade está completando neste ano de 2011 um século de evangelização.

Em 1993 a casa paroquial foi acrescentada, recebendo um salão equipado com o objetivo de melhorar o atendimento a todas as atividades pastorais e movimentos existentes. Em 1997 foi a vez de acrescentar a Igreja, cuidadosamente  respeitando o seu estilo, e foi colocada no altar-mor, a Pedra d’ara definitivamente , como prova histórica da primeira construção.

Ao longo do tempo, surgiu a necessidade de outras capelas e aos poucos foram sendo construídas: Santa Quitéria, Senhor Bom Jesus dos Passos, Nossa Senhora dos Anjos, Corpo Santo, Eremitério Santa Maria dos Anjos e São Francisco das Chagas. Criaram-se espaços e cresceram os movimentos e as devoções. No ano de 2000 foi instalada a Ordem Franciscana com a chegada dos Frades Capuchinhos e também foi criada a Ordem Franciscana Secular. Em 2008 foi erguido um monumento com a imagem de São Sebastião na praça Principal.

Durante estes cem anos muitos Padres, religiosos e religiosas de várias Ordens e congregações passaram por aqui deixando o seu contributo nas celebrações e missões, e no cuidado com os enfermos. É importante lembrar as diversas vocações religiosas e sacerdotais que aqui surgiram e partiram para servir à Igreja conforme o chamado de Deus: Frei João Bosco, OFM Cap.(Convento da Penha Recife PE), Irmã Águeda(Clarissa Missionária, Salvador BA), Irmã Josevânia, Franciscana do Coração Imaculado de Maria(Madre Geral, Cabo de Santo Agostinho PE), Pe. Antonio (Paroquia de Itaíba PE), desta Diocese de Garanhuns, Irmã Maria( Filha de Santana, Carpina PE), Irmã Coleta(Clarissa enclausurada no Mosteiro de Cascavel PR) e o Seminarista Valterian(Diocese de Sorocaba SP).

Por ocasião do centenário, com o apoio e incentivo do nosso pároco Pe Rivaldo, para a realização desta festa, no inicio de fevereiro de 2011, fizemos uma escavação e forma encontrados fragmentos da antiga construção que, depois de análise e comprovada a autenticidade, ficaram expostos definitivamente no lugar de origem a céu aberto, para que todos possam contemplar este passado de glória. Também foi restaurado o ícone original da Virgem e foram incrementados: Jóias, pedras, ouro, prata e anjos. O documento original assinado por Dom Luiz em 1911, passou a fazer parte desta obra religiosa tão preciosa para todos nós. Após o restauro minucioso que durou seis meses, para não se perder nada da originalidade, ficou exposto por uma semana na capela particular dos Frades Capuchinhos do Convento de Nossa Senhora da Penha em Recife-PE.

Foi construído um monumento com a imagem da Virgem e confeccionado um painel que relata os acontecimentos de 1911, além de placas comemorativas que trazem também o Hino do centenário, sendo abençoado e inaugurado pelo nosso Excelentíssimo Senhor Bispo Dom Fernando José Monteiro Guimarães, CSsR, e o nosso Reverendíssimo Pároco Pe. Rivaldo Peixoto de Araújo no dia 6 de Novembro de 2011 com a presença de todo o povo de Deus.

A devoção à Nossa Senhora de Montserrat surgiu na Espanha, no século VI. À pouca distancia de Barcelona, encontra-se Montserrat, cujo nome provém da forma dessa montanha que se assemelha a um serrote de agudos dentes. A imagem ficou escondida numa de suas cavernas por quase duzentos anos por causa de uma perseguição religiosa, sendo anos depois encontrada, Colocaram então a imagem numa capela daquelas paragens, onde uma série de maravilhas começou a atingir gente de toda parte. Os milagres sucediam-se com profusão: os cegos recuperavam a vista, os mudos falavam, os pecadores se convertiam.

O nome de Montserrat voou por todos os lugares por que se tornou uma novo titulo de Nossa Senhora.

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(ORAÇÃO DIVINA)
Esta oração é de Jerusalém e chama-se Oração de N. Senhora do Monte Serrat, conta como a mesma Senhora obrou um grande milagre ao pé da Barcelona. 

 
ORAÇÃO
Bendita e louvada seja a Sagrada Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Rogai por nós santa
formosura dos anjos, tesouro dos Apóstolos, depósito da arca da aliança. Senhora Santa Maria mostrai-nos em tão belo dia a Vossa face gloriosa.
 
Esta oração achada no Santo Sepulcro de Jerusalém, aos pés da imagem do divino Jesus, e aprovada por todos os senhores inquisidores. O divino Jesus disse que toda criatura que tiver esta oração, não morrerá de má morte, nem repentina, nem sendo ofendido pelos inimigos, não morrerá afogado no mar, nem nos
rios, não passará trabalhos no mar, não será queimado por fogo nem será ferido na guerra, nem atentado pelos demônios do inferno, e não morrerá sem confissão que é proveito para a alma e prazer para o coração, não será mordido de cães danados nem outros animais peçonhentos. Toda mulher que estiver em perigo de vida por causa do parto será logo aliviada com a Virtude desta oração; livra também da gota coral, mas é necessário ter muita fé em tudo, porque não havendo fé não pode haver milagre e nem salvação.
Rezar: Cinco Pai Nosso, Ave Maria, e Glória ao Pai.
NOSSA SENHORA DO MONTE SERRAT, ROGAI POR NÓS. AMÉM“.

Quer conhecer este lugar lindo cheio de Paz e Harmonia e um pedacinho do Céu? Forme seu grupo e venha conhecer e me ligue no (81) Tim 9-9689 3391/ Oi e Zap 9-8474 8533 Elpídio Araújo

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Histórico de Nossa Senhora do Equilíbrio:
Um dia de 1967, um monge da abadia de Fattochie, em Roma, rezava distraidamente.Vinha-lhe à mente, de modo obsessivo, a palavra equilíbrio.
 
 
Saindo da Capela, foi ao sótão do mosteiro para colocar algumas coisas em ordem. De repente, caiu-lhe nas mãos uma rude e compacta tábua sobre a qual estava fixada uma chapa metálica oxidada com o relevo de uma orante.
 
 
Inspiradamente exclamou: Santa Maria do Equilíbrio !!!
 
 
 
E entregou-a ao monge Armando Paniello, que a reproduziu numa estampa com um vestido amarelo, frisado, e longo, véu azul, da cabeça aos pés, braços e mãos estendidos verticalmente até o colo, pés descalços, como que a admoestação, nesta posição hierática, um espiritual equilíbrio.
 
 
 
Em 19 de setembro de 1968, Dom Armando solicitou uma audiência com o Papa Paulo VI. Ao receber a estampa, o Pontífice, radiante e de braços abertos exclamou:
 
 
“Santa Maria do Equilíbrio!… ah, é justamente dela que se precisa!”.
 
“Qual deve ser o dia de sua festa?” – perguntou-lhe o monge.
 
Ao que responde o papa:
 
“Dela não existe uma festa, porque deve ser invocada da manhã à noite”.
 
 
Propagada pela Irmã Aquilina em 1993, a devoção a santa chegou a Curitiba.
 
Em fevereiro de 1994 o arcebispo da cidade, D. Pedro Fedalto, lançou o desejo de edificar um santuário dedicado à Nossa Senhora do Equilíbrio.
Em 25 de outubro de 1998, foi lançada a pedra fundamental da obra e em 31 de maio de 2000, o ano do grande Jubileu de Jesus Cristo, foi assinado o contrato de comodato com a Mitra Arquidiocesana.
 
No mesmo ano, em setembro, foi fundada a Associação Luz do Mundo para gerir a grande obra, tendo como presidente a própria Irmã Aquilina.

Informações extras: Rua Amadeu Pinto, 4505- Curitiba/ PR

 
HISTÓRICO DO SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DO EQUILÍBRIO:
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A devoção à Nossa Senhora do Equilíbrio começou a ser propagada em maio de 93 pela Irmã Aquilina, religiosa da Congregação das Irmãs da Sagrada Família, nos Grupos de Oração por onde pregava.
 
 
No Gabaon de 94, tradicional evento de carnaval organizado pela RCC, na celebração Eucarística, Dom Pedro Fedalto, Arcebispo Metropolitano de Curitiba, lança à Renovação Carismática o desejo de edificar um Santuário dedicado a Nossa Senhora do Equilíbrio.
 
 
Em 97 Dom Pedro Fedalto renova o desejo à RCC e à Irmã Aquilina. Depois de certo tempo surgiu a hipótese da construção do Santuário no terreno pertencente ao Seminário São José, no bairro do Orlens. Começou, então, a criar vulto a idéia de, juntamente com o Santuário e tendo-o como ponto de irradiação espiritual, construir-se um grande complexo de evangelização denominado de Centro Católico de Evangelização Luz do Mundo, composto por um pavilhão para grandes eventos, uma casa de retiros para 200 participantes e um salão de palestras para eventos menores.
 
 
Enfim, um trabalho voltado à Igreja e à comunidade, visto que o terreno que abriga o complexo mede aproximadamente 47 mil m2.
 
 
Em 25 de outubro de 1998, foi lançada a pedra fundamental da obra; em 31 de maio de 2000, o ano do grande Jubileu de Jesus Cristo, foi assinado o contrato de comodato com a Mitra Arquidiocesana proprietária do terreno e no dia 08 de setembro do mesmo ano foi fundada a Associação Luz do Mundo para gerir a grande obra, tendo como presidente Irmã Aquilina, SF.
 
 
A casa do caseiro, sala de palestras para 500 participantes e refeitório já estão concluídas, iniciaremos, ainda este semestre, a construção de um complexo de banheiros anexo ao refeitório.
 
O Santuário, propriamente dito, também já está quase totalmente pronto restando somente a parte de arte sacra, a qual está em processo de desenvolvimento por um studio de Curitiba e tão logo fique pronto e tenhamos a verba necessária daremos início à confecção.
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Dom Pedro Fedalto sempre tem demonstrado um grande carinho por esta obra, aliás foi seu idealizador e grande incentivador. 

O mesmo temos notado nos Padres do Seminário São José. Dom Moacir, nosso novo Arcebispo, manifesta o mesmo desejo do seu predecessor de que se leve adiante este grandiosa obra de Evangelização de nossa querida Arquidiocese de Curitiba.

 
ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DO EQUILÍBRIO:
Virgem Mãe de Deus e dos homens, MARIA.
 
 
Pedimos-vos o dom do equilíbrio cristão, hoje tão necessário à Igreja e ao mundo.
 
Livrai-nos de todo o mal; salvai-nos do egoísmo, do desânimo, do orgulho, da presunção e da dureza de coração. 


Dai-nos tenacidade no esforço, calma no insucesso, humildade no êxito feliz. Abri nossos corações à santidade.
 
Fazei que pela pureza de coração, pela simplicidade e amor à verdade, possamos conhecer nossas limitações.
 
Alcançai-nos a graça de compreender e viver a palavra de Deus. Concedei-nos que, pela Oração, Amor e Fidelidade à Igreja na pessoa do Sumo Pontífice…, vivamos em comunhão fraterna com todos os membros do Povo de Deus, Hierarquia e fiéis.
 
Despertai-nos profundo sentimento de solidariedade entre irmãos, para que possamos viver, com Equilíbrio, a nossa Fé, na Esperança da eterna salvação. Nossa Senhora do Equilíbrio, a Vós nos consagramos, confiantes na ternura da vossa maternal Proteção.
 
Divino Espírito Santo, que deste a Maria todo equilíbrio emocional e físico, dai-nos a graça de abandonar em vós nossos sentimentos e emoções,desejos e aspirações, a amar acima de tudo a Deus e não querer nada que me prejudique nem me afaste da Sua Vontade.
 
Dai-nos a graça da paciência nas demoras, e do discernimento para procurar as pessoas certas que nos ajudem na cura de nossas feridas emocionais provocadas pela falta do amor verdadeiro e de escolhas erradas.
 
Queremos abandonar-nos aos pés daquele que tudo pode transformar e equilibrar:
 
 
Confiai-lhe todas as vossas preocupações , porque Ele tem cuidado de vós” (I Pedro 5,7)

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, assim como era no princípio agora e sempre amém.

Pai Nosso e Ave Maria
Em Recife a Devoção a Nossa Senhora do Equilibrio pode ser vista na Casa Roma 
R Siqueira Campos , 160 – lj-9 – - Santo Antônio - Recife, PE - Cep: 50010-904
Fone (81) 3224 4646

 

Biografia de São Judas Tadeu

São Judas Tadeu

Apóstolo de Cristo

Biografia de São Judas Tadeu:

São Judas Tadeu foi um apóstolo de Cristo. Era primo irmão de Jesus. Sua mãe Maria era prima de Maria Santíssima e o pai Alfeu era irmão de São José. A pregação e o testemunho de Judas Tadeu impressionava os pagãos que se convertiam.

Nasceu em Caná de Galileia, na Palestina. Era filho de Alfeu e Maria Cleofas. Era irmão de Thiago, José, Simão e Maria Salomé. Thiago foi um dos doze apóstolos, que se tornou o primeiro bispo de Jerusalém. José era conhecido como o justo. Simão foi o segundo Bispo de Jerusalém.

Nas Escrituras, João Evangelista relata que na última ceia, São Judas perguntou ao seu mestre: “Senhor, por que razão hás de manifestar-te a nós e não ao mundo?” Jesus lhe responde afirmando que teriam manifestações dele todos os que guardassem suas palavras e permanecessem fies a seu amor. Um dos discípulos a quem Jesus apareceu no caminho de Emaús no dia da ressurreição.

É um dos doze citados nominalmente por Mateus e Marcos, em seus Evangelhos, e um dos mais fervorosos do grupo. Depois da ascensão de Jesus e que os Apóstolos receberam o Espírito Santo, no Cenáculo em Jerusalém, iniciou a pregação de sua fé no meio dos maiores sofrimentos e perseguições, pela Galileia. Depois viajou para a Samaria e outras populações judaicas divulgando o Evangelho. Tomou parte no primeiro Concílio de Jerusalém e em seguida passou evangelizando pela Mesopotâmia, atual Pérsia, Edessa, Arábia e Síria. Destacou-se principalmente na Armênia, Síria e Norte da Pérsia, sendo o primeiro a manifestar apoio ao rei estrangeiro, Algar de Edessa.

Na Mesopotâmia ganhou a companhia de outro apóstolo, Simão o Zelota, aparentemente viajando em companhia de quinto Apóstolo a ir ao Oriente. Segundo relata São Jerônimo, ambos foram martirizados cruelmente quando estavam na Pérsia, mortos a golpes de machado, desferidos por sacerdotes pagãos, por se recusarem a prestar culto à deusa Diana. Assim, na igreja ocidental, os dois santos são celebrados juntos em 28 de outubro. A Igreja Ortodoxa Grega, contudo, distingue Judas de Tadeu, celebrando Judas, “irmão” de Jesus, em 19 de junho, e o apóstolo Tadeu em 21 de agosto.

É invocado como advogado das causas desesperadas e dos supremos momentos de angústia. Essa devoção surgiu na França e na Alemanha no fim do século XVIII. No Brasil, a devoção a esse santo é muito popular e surgiu no início do século XX. Devido à forma como foi martirizado, sempre é representado em suas imagens segurando um livro, simbolizando a palavra que anunciou, e uma machadinha, o instrumento de seu martírio. Suas relíquias atualmente são veneradas na Basílica de São Pedro, em Roma.

Sua festa litúrgica celebra-se, todos os anos, na provável data de sua morte: 28 de outubro.

Francisco de Assis

Giovanni di Pietro di Bernardone, mais conhecido como São Francisco de Assis (Assis5 de julho de 1182 1 — 3 de outubro de 1226), foi um frade católico da Itália. Depois de uma juventude irrequieta e mundana, voltou-se para uma vida religiosa de completa pobreza, fundando a ordem mendicante dos Frades Menores, mais conhecidos como Franciscanos, que renovaram o Catolicismo de seu tempo. Com o hábito da pregação itinerante, quando os religiosos de seu tempo costumavam fixar-se em mosteiros, e com sua crença de que o Evangelho devia ser seguido à risca, imitando-se a vida deCristo, desenvolveu uma profunda identificação com os problemas de seus semelhantes e com a humanidade do próprio Cristo. Sua atitude foi original também quando afirmou a bondade e a maravilha da Criação num tempo em que o mundo era visto como essencialmente mau, quando se dedicou aos mais pobres dos pobres, e quando amou todas as criaturas chamando-as de irmãos. Alguns estudiosos afirmam que sua visão positiva da natureza e do homem, que impregnou a imaginação de toda a sociedade de sua época, foi uma das forças primeiras que levaram à formação da filosofia daRenascença.2

Dante Alighieri disse que ele foi uma “luz que brilhou sobre o mundo”, e para muitos ele foi a maior figura do Cristianismodesde Jesus, mas a despeito do enorme prestígio de que ele desfruta até os dias de hoje nos círculos cristãos, que fez sua vida e mensagem serem envoltas em copioso folclore e darem origem a inumeráveis representações na arte, a pesquisa acadêmica moderna sugere que ainda há muito por elucidar quanto aos aspectos políticos de sua atuação, e que devem ser mais exploradas as conexões desses aspectos com o seu misticismo pessoal. Sua vida é reconstituída a partir de biografias escritas pouco após sua morte mas, segundo alguns estudiosos, essas fontes primitivas ainda estão à espera de edições críticas mais profundas e completas, pois apresentam contradições factuais e tendem a fazer uma apologia de seu caráter e obras; assim, deveriam ser analisadas sob uma óptica mais científica e mais isenta de apreciações emocionais do que tem ocorrido até agora, a fim de que sua verdadeira estatura como figura histórica e social, e não apenas religiosa, se esclareça. De qualquer forma, sua posição como um dos grandes santos da Cristandade se firmou enquanto ele ainda era vivo, e permanece inabalada. Foi canonizado pela Igreja Católica menos de dois anos após falecer, em 1228, e por seu apreço à natureza é mundialmente conhecido como o santo patrono dos animais e do meio ambiente.3

Juventude e conversão

Casa onde Francisco nasceu, Assis.

Era filho do comerciante italiano Pietro di Bernadone dei Moriconi e sua esposa Pica Bourlemont, cuja família tinha raízes francesas. Os pais de Francisco faziam parte da burguesia da cidade de Assis, e graças a negócios bem sucedidos na ProvençaFrança, conquistaram riqueza e bem estar. Na ausência do pai, em viagem à França, sua mãe o batizou com o nome de Giovanni (João, em português, a partir do profeta São João Batista) na igreja construída em homenagem ao padroeiro da cidade, o mártir Rufino. A origem de seu nome Francesco (Francisco) é incerta. Para uns, depois de uma viagem à França, onde o menino teria ficado cativado pela vida francesa, sua música, sua poesia e seu povo, seu pai teria começado a chamá-lo de “francesco”, que significa “francês” em italiano. Para outros seu pai teria feito, em vez, uma homenagem ao país natal de sua esposa, embora não haja provas de sua naturalidade francesa. Também foi sugerido que o nome foi dado por seu gosto pela língua francesa, que perdurou por toda a vida de Francisco e era em sua época a linguagem por excelência da literatura cavaleiresca e da expressão amorosa.4 5

O nascimento de São Francisco. Pintura anônima na igreja do Convento de Santo Antônio da Paraíba

O menino cresceu e se tornou um jovem popular entre seus amigos, por sua indisciplina e extravagâncias, por sua paixão pelas aventuras, pelas roupas da moda e pela bebida, e por sua liberalidade com o dinheiro, mas mostrava uma índole bondosa. Era nessa época fascinado pelas histórias de cavalaria, e desejava ganhar fama como um herói. Assim, em 1202 alistou-se como soldado na guerra que Assis desenvolvia contra Peruggia, mas foi capturado e permaneceu preso, à espera de um resgate, por cerca de um ano. Ao ser libertado caiu doente, com episódios de febre que duraram quase todo o ano de 1204. Ali se apresentaram as duas afecções que o acompanharam por toda a sua vida: problemas de visão e no aparelho digestivo.4 5

Depois de recuperado tentou novamente a carreira das armas, engajou-se em 1205 no exército papal que lutava contra Frederico II, incentivado por um sonho que tivera. Nele apareceu-lhe alguém chamando-o pelo nome e levando-o a um rico palácio, onde vivia uma linda donzela, e que estava cheio de armas resplandecentes e outros apetrechos de guerra. Indagando de quem eram essas armas esplêndidas e o palácio magnífico, foi-lhe respondido que tudo aquilo era seu e de seus soldados. Animado com a perspectiva de glória, pôs-se a caminho, mas no trajeto teve outro sonho, ou uma visão, onde ouviu, segundo a versão da Legenda trium sociorum, uma voz a dizer: Quem te pode ser de mais proveito? O senhor ou o servo? Como Francisco respondesse: O senhor, ouviu novamente a voz: Então por que deixas o senhor pelo servo e o príncipe pelo vassalo?. Confundido, Francisco disse: Que queres que eu faça?, e a voz replicou: Volta para tua terra, e te será dito o que haverás de fazer. Pois deves entender de outro modo a visão que tiveste.6

O crucifixo de São Damião. Mestre anônimo do século XII, hoje na Basílica de Santa Clara, Assis.

Giotto di BondoneRenúncia aos bens mundanos, 1297-1299. Basílica de São Francisco de Assis, Assis.

Poucos dias depois, já em Assis, durante uma algazarra com seus amigos, teria sido tocado pela presença divina, e desde então, segundo a Legenda, começou a perder o interesse por seus antigos hábitos de vida e mostrar preocupação pelos necessitados. Eleito “rei da juventude” em um festejo folclórico tradicional, em vez de preparar-se para a entrada em uma vida de casado, como seria o costume, retirou-se, conforme relatou seu primeiro biógrafo Tomás de Celano, para uma caverna a fim de meditar, acompanhado de apenas um amigo fiel, para quem revelou suas preocupações e seu desejo de obter o tesouro da sabedoria e de desposar a vida religiosa. Mas ainda era um período de hesitação. Quando tinha arroubos de devoção e os expressava publicamente, era ridicularizado; tinha pesadelos com uma horrível mulher corcunda, e imaginava que esta era a imagem de sua futura vida de pobreza.5

Certo dia saiu em um passeio pelos campos nos arredores, e ao penetrar em uma clareira ouviu o som do sino que os leprosos, proscritos pela sociedade, deviam usar para indicar a sua aproximação, e logo se viu frente a frente com o homem doente. Fazia frio e o leproso tinha apenas trapos sobre o corpo. Francisco sempre sentira repulsa dos leprosos, mas nesse momento desceu de seu cavalo e cobriu o homem com seu próprio manto. Espantado consigo mesmo, olhou nos olhos do outro, e viu sua gratidão, e enquanto ele mesmo chorava, beijou aquele rosto deformado pela moléstia. Este parece ter sido o ponto de virada em sua vida, mas sua vocação não se declarou toda subitamente, e a cronologia desses e outros episódios preparatórios para sua conversão não é clara nas fontes antigas. Também parece ter tentado seguir o ofício de seu pai, mas sem conseguir devotar-se a ele. Ao contrário, estava cada vez mais interessado em ajudar os pobres.4

Mas certa feita entrou para orar na igreja de São Damião, fora das portas da cidade, e ali, diz a tradição, ele ouviu pela primeira vez a voz de Cristo, que lhe falou de um crucifixo. A voz chamou a sua atenção para o estado de ruína de sua Igreja, e instou para que Francisco a reconstruísse. Imediatamente voltou para sua casa, recolheu diversos tecidos caros da loja de seu pai e os vendeu a baixo preço no mercado da cidade, e voltou para a igreja onde tivera sua revelação doando o dinheiro para o padre, a fim de que ele restaurasse o prédio decadente. Ao saber disso o pai se enfureceu e mandou que o buscassem. Atemorizado, Francisco se escondeu em um celeiro, onde seu amigo lhe levava um pouco de comida. Passado algum tempo, decidiu revelar-se, e diante do povo de Assis se acusou de preguiçoso e desocupado. A multidão o tomou por louco e divertiu-se apedrejando-o. O pai ouviu o tumulto e o recolheu para sua casa, mas o acorrentou no porão. Alguns dias depois sua mãe, por compaixão, livrou-o das correntes, e Francisco foi buscar refúgio junto ao bispo. O pai seguiu-o e o acusou de dissipador de sua fortuna, reclamando uma compensação pelo que ele havia tirado sem licença de sua loja. Então, para a surpresa de todos, Francisco despiu todas as suas belas roupas e as colocou aos pés do pai, renunciou à sua herança, pediu a bênção do bispo e partiu, completamente nu, para iniciar uma vida de pobreza junto do povo, da qual jamais retornou.4 5 O bispo viu nesse gesto um sinal divino e se tornou seu protetor pelo resto da vida.

A fundação da Ordem e primeiras obras

Francisco, tomando ao pé da letra o que o crucifixo de São Damião ordenara, iniciou sua nova vida como pedreiro, ajudando a reconstruir diversas igrejas nos arredores de Assis – esta de São Damião, a de São Pedro e a da Porciúncula, que segundo São Boaventura era a que ele mais amava. Nela descobriu, em 1208 ou 1209, na leitura de uma passagem do evangelho de Mateus, as linhas gerais que orientaram sua vocação:

“Ide, disse o Salvador, e proclamai em todas as partes que o Reino do Céu está aberto. Vós recebestes gratuitamente; dai sem receber pagamento. Não leveis nem ouro, nem prata nem cobre em vossos cintos, nem um alforje, nem uma segunda túnica, nem sandálias, nem o cajado de viajante, pois o trabalhador merece ser sustentado. Em qualquer vila em que entrardes procurai alguma pessoa digna, e hospedai-vos com ela até partirdes. E quando entrardes em uma casa, saudai-a; se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; mas, se não for digna, torne para vós a vossa paz.”8

Dessa forma, de devoto passou a ser missionário, e começou a pregação da palavra divina, fazendo seus primeiros conversos, entre eles Bernardo de Quintavalle, um rico burguês de Assis, que vendeu tudo o que tinha para dar aos pobres, Pietro Cattani, que foi mais tarde seu sucessor na Ordem, e o Irmão Giles. Nesse período inicial, segundo Celano, teve uma revelação do futuro brilhante de sua Ordem, e ao mesmo tempo das provações que estavam pela frente. Diz o cronista:

“No começo desta nossa vida vamos encontrar alguns frutos doces e deliciosos. Depois serão oferecidos outros de menor sabor e doçura. No fim, serão dados alguns cheios de amargor, de que não poderemos viver, porque sua acidez será intragável para todos, apesar da aparência de frutos belos e cheirosos. Entretanto, como vos disse, o Senhor fará de nós um grande povo”9

Giotto: Francisco e seus companheiros diante de Inocêncio III, 1297-1299. Basílica de São Francisco de Assis, Assis.

Anônimo: São Francisco cortando os cabelos de Santa Clara em sua ordenação, século XV. Deutsches Historisches Museum.

Tendo reunido mais um grupo de seguidores, dirigiu-se para Roma a fim de obter do papa a autorização da primeira Regra para a fundação de sua Ordem, a chamada Regra primitiva, que prescrevia uma pobreza absoluta para os monges e para a Ordem, em imitação literal da vida de Jesus Cristo e seus apóstolos conforme narrada nos Evangelhos, que não possuíam nada pessoalmente nem em comum. Segundo o cronista inglês Matthew Paris, lá chegando, sujos e vestidos pobremente, foram ridicularizados pela corte deInocêncio III, que mandou não aborrecê-lo com sua Regra, considerada excessivamente rigorosa e impraticável, e que fosse pregar entre os porcos. Tendo-o feito num chiqueiro próximo, coberto de lama voltou para o papa, que refletindo um momento, decidiu recebê-los em uma audiência formal depois que se lavassem. Francisco e seus amigos se prepararam então para esse outro encontro conseguindo o apoio de prelados eminentes para a sua causa. Segundo os relatos antigos, nesse ínterim Inocêncio teve um sonho, onde viu a Basílica de São João de Latrão prestes a desabar, apenas sustentada por um pobre religioso, que ele interpretou como sendo Francisco. Com a recomendação favorável de alguns conselheiros e com o aviso recebido em sonho, Inocêncio finalmente autorizou a Regra, mas não por escrito, nem outorgou o estatuto de Ordem maior ao grupo, apenas permitiu que pregassem e dessem socorro moral às pessoas, mas acrescentando que se eles conseguissem frutos de seu trabalho, voltassem a ele para que sua situação fosse completamente regularizada. Alguns relatos antigos, como o deixado por Roger de Wendover, sugerem que Francisco e seus companheiros não ficaram completamente satisfeitos com o resultado de seu encontro com o papa, e em seu caminho de volta, ao pararem em Spoleto, parece ter havido uma crise entre o grupo. Alguns teriam se inclinado a abandonar a pregação para viverem como monges eremitas, desiludidos com a ostentação de luxo da corte papal. Também nessa ocasião parece ter ocorrido o célebre Sermão aos pássaros, mas os cronistas divergem na sua descrição. Para Wendover ele foi a manifestação da revolta de Francisco, que teria mandado as aves devorarem os poderosos, mas os que seguem a versão de Celano o referem como um idílio cheio de poesia e doçura.10 11

Chegando a Assis, instalaram-se em uma cabana no campo, onde se dedicaram ao cuidado dos leprosos, ao trabalho manual e à pregação, vivendo de esmolas. Logo a cabana se tornou pequena para o crescente número de irmãos, mas o abade do mosteirobeneditino do Monte Subásio lhes concedeu em fins de 1210 o uso da capela da Porciúncula e de uma terra adjacente. Entre os novos amigos de Francisco estavam o Irmão Leo, seu futuro confessor e amigo inseparável, o Irmão Ruffino, que segundo a lenda pregava até dormindo, o Irmão Junípero, o Irmão Masseo e o Irmão Illuminato. Nesse período sua pregação já alcançara toda a região entorno, mas não eram sempre bem recebidos. Em 1212 a Ordem foi enriquecida com a primeira mulher, Clara d’Offreducci, a futura Santa Clara, fundadora do ramo feminino dos Frades Menores, as Clarissas, que logo trouxe suas irmãs, a quem foi dado o uso da capela de São Damião. No mesmo ano fizeram sua primeira tentativa, frustrada, de evangelizar os sarracenos na Síria, mas não conseguiram chegar ao seu destino e acabaram voltando a Assis com grande dificuldade. Durante a viagem de navio, conta a tradição que o santo fez omilagre de pacificar uma tempestade e de multiplicar a comida dos marinheiros, que terminava. Nessa época seus milagres foram numerosos. Em Ascoli curou enfermos e fez muitas conversões, em Arezzo os arreios de um cavalo que ele havia tocado curaram uma mãe em perigoso trabalho de parto, em Narni curou um paralítico, em San Gimignano expulsou demônios, e em Gubbio pacificou um lobo que assolava a região, entre muitos outros prodígios. Sua fama como santo já se espalhava, e recebeu em doação o monte Alvernepara que erguesse ali um refúgio para os irmãos. Em 1214 se dirigiu para o Marrocos para pregar entre os mouros, mas só pôde chegar à Espanha, onde caiu doente, mas outros irmãos prosseguiram.12 Em 1219, durante a Primeira Cruzada, foi ao Egito, encontrou-se com os cruzados que assediavam Damiettaprofetizando sua derrota, em seguida manteve uma entrevista com o sultão aiúbida Al-Kamilque, impressionado, ao fim da visita pediu que Francisco orasse para que Deus lhe mostrasse a forma de cultuá-lo que fosse de seu agrado e permitiu que pregasse entre seus súditos.13 Dali passou para a Palestina, peregrinando pelos lugares santos, onde recebeu a notícia de que os irmãos no Marrocos haviam sido martirizados, e que a comunidade em Assis, na sua longa ausência, estava em crise.12

Reforma da Ordem

Voltou à Itália e passou por Roma a fim de obter ajuda do papa. Quando chegou em Assis viu que seus ideais haviam sido abandonados e reinava grande confusão entre os irmãos. Alguns se haviam tornado vagabundos e se associavam com mulheres, outros queriam erguer igrejas suntuosas, abandonar o rigorismo da Regra inicial, dedicar-se aos estudos eruditos, e pediam favores e privilégios para o papa. Ao mesmo tempo, a liberdade de pensamento outorgada pela Regra primitiva, que permitia o questionamento de preceitos e ordens percebidos como contrários à consciência, havia degenerado em disputas constantes de opinião entre os irmãos e em desobediência. Pelo menos em um caso a reação de Francisco foi violenta. Em Bolonha, onde o Irmão João fundara um colégio, expulsou todos de lá, inclusive os doentes. Depois teve de aceitar, com a intervenção papal, várias mudanças importantes. Foi estabelecido o período probatório de um ano para novos candidatos, um representante do papa foi indicado governador e corregedor da Ordem, e Francisco passou a administração da comunidade para o Irmão Pietro Cattani, logo substituído pelo Irmão Elias, enquanto que Francisco permanecia apenas como guia espiritual. Foi criada a Ordem Terceira para os irmãos leigos, foi autorizado o estudo avançado de teologia, e o Francisco elaborou uma Segunda regra, em 1221, tentando torná-la o mais clara e inequívoca possível. Ainda assim a Segunda regra, também chamada Regra não bulada, se revelou ineficaz para a solução da crise, era em essência a mesma, e foi solicitada nova revisão para Francisco, auxiliado pelos irmãos Leo e Bonizzo.14 15 Segundo o relato do Speculum perfectionis, prevendo que Francisco não cederia em muito, o Irmão Elias, acompanhado de outros, foi ao encontro de Francisco e solicitou um abrandamento no texto, e nesse momento todos teriam ouvido a voz de Cristo dizendo que desejava preservar a pureza do conteúdo dos Evangelhos e que quem não se conformasse deixasse a Ordem.16

Ficando pronto em 1223, aparentemente com poucas modificações novas, o novo texto foi enviado para Roma para aprovação papal, mas recebeu ainda muitos outros ajustes e cortes do cardeal Ugolino e finalmente foi confirmado pelo papa Honório III, na bula Solet annuere, de 29 de novembro de 1223, e por isso é chamada de a Regra bulada. O texto da Regra primitiva resultou ainda mais profundamente alterado; a maioria das citações do Evangelho e as passagens poéticas foram removidas e substituídas por fórmulas legais. O artigo que autorizava a desobediência de superiores indignos foi excluído, assim como os que prescreviam o cuidado dos leprosos, junto com todas as obrigações de pobreza absoluta. Já não se insistia no trabalho manual e se permitiu que os irmãos usassem quaisquer livros, que naquela época eram raros artigos de luxo.14 15 A seguir um trecho comparativo entre as regras Não bulada e a Bulada, referente ao modo como os frades deviam trabalhar:

Regra não bulada Regra bulada
Todos os frades, em qualquer lugar em que estiverem em casa de outros para servir ou trabalhar, não sejam mordomos nem chanceleres nem estejam à frente das casas em que servem; nem recebam algum emprego que cause escândalo ou produza detrimento para sua alma (Mc. 8,36); mas sejam menores e submissos a todos que estão na mesma casa. E os frades, que sabem trabalhar, trabalhem e exerçam o mesmo ofício que sabem, se não for contra a salvação da alma e puder ser feito honradamente. Pois diz o profeta: Comerás os trabalhos dos teus frutos; és feliz e estarás bem (Sl 127,2); e o apóstolo: Quem não quer trabalhar, não coma (cfr. 2Ts 3,10); e cada um fique na arte e ofício em que foi chamado (cfr. 1Cor 7,24). E pelo trabalho possam receber tudo que for necessário, menos dinheiro. E quando for necessário, vão pela esmola como os outros pobres. E possam ter ferramentas e instrumentos convenientes para seus ofícios. Todos os frades esforcem-se por suar em boas obras (S Greg. M. Hom. 13 in Ev.), porque está escrito: Faz sempre alguma coisa boa, para que o diabo te encontre ocupado (S. Jeron. Ep. 125,11). E ainda: A ociosidade é inimiga da alma (S. Bern. Reg. 48,1). Por isso os servos de Deus devem insistir sempre na oração ou em alguma obra boa. Guardem-se os frades, onde quer que estejam, em eremitérios ou outros lugares, de apropriar-se de lugar algum ou de impedi-lo a alguém. E quem quer que venha a eles, amigo ou adversário, ladrão ou assaltante, receba-se benignamente. E onde quer que estejam os frades e onde quer que se encontrem, devem voltar a ver-se e honrar-se espiritual e diligentemente mutuamente sem murmuração(1Pd 4,9). E cuidem de não se mostrar tristes por fora e sombrios hipócritas; mas se mostrem alegres no Senhor (Fl. 4,4) e bem humorados e convenientemente amáveis.17 Os frades a quem o Senhor deu a graça de trabalhar, trabalhem fiel e devotamente, de modo que, afastando o ócio inimigo da alma, não extingam o espírito da santa oração e devoção, ao qual as outras coisas temporais devem servir. Como mercê do trabalho recebam para si e seus irmãos o necessário para o corpo, menos dinheiro ou pecúnia, e isso humildemente, como convém a servos de Deus e seguidores da santíssima pobreza.18

Regra Bulada, preservada na Basílica de Assis

Impostas pela hierarquia eclesiástica romana e pela pressão de parte de seus próprios companheiros, essas mudanças pouco refletiam o espírito original franciscano, mas foram inevitáveis diante da tensão entre um grupo que crescia, se diversificava e estava prestes a perder sua unidade, e a necessidade de mantê-lo funcional e organizado. Mas expressavam ainda o conflito aberto entre a hierarquia espiritual e a institucional. Francisco via a si mesmo como o mensageiro de um mandado divino, crendo que sua Regra não podia ser alterada sem traição a Cristo que o inspirava e que era a autoridade suprema a ser considerada, a quem o próprio papa devia subordinação, mas parece não ter compreendido que Cristo não falava ao papa nem aos monges, somente ele ouvia sua voz, e assim inevitavelmente sua credibilidade e a propriedade de sua intransigência eram postas em dúvida.19 Segundo os relatos a Regra bulada só foi aceita por Francisco por força da obediência que devia ao papa como líder da Igreja, da qual jamais quis afastar-se, mas submeteu-se, com grande pesar, e os seus primeiros biógrafos referem este período como o da sua “grande tentação”, a de abandonar todo o trabalho. Por fim aceitou o fato consumado, e entregando os frutos para Deus, pacificou-se.14

Anos finais e morte

Seus anos finais foram passados em tranquilidade interior, quando segundo seus biógrafos primitivos seu amor e compaixão por todas as criaturas fluíam abundantes, ao mesmo tempo que ele experimentava repetidas visões e êxtases místicos, fazia outros milagres, continuava a percorrer a região em pregações, e multidões acorriam para vê-lo e tocá-lo. No Natal de 1223 foi convidado pelo senhor deGreccio para celebrar a festa numa gruta com pastores e animais, desejando recriar o nascimento de Cristo em Belém, sendo a origem da tradição dos presépios. Na primavera seguinte viajou para a Porciúncula a fim de assistir a reunião do Capítulo Geral, e em seguida retirou-se para o santuário do Monte Alverne, acompanhado dos irmãos Leo, Ruffino, Angelo, Silvestre, Illuminato, Masseo e talvez também Bonizzo. Muitas vezes os deixava e se embrenhava nas matas, a fim de meditar solitário, levando consigo apenas os Evangelhos e comendo muito pouco.20 Às vezes o Irmão Leo, em segredo, o observava, e por mais de uma vez testemunhou seus êxtases e viu parte das visões que o santo via. Nos estados contemplativos eram-lhe reveladas por Deus não somente coisas do presente, mas também do futuro, assim como lhe fazia conhecer as dúvidas, os secretos desejos e os pensamentos dos irmãos. Numa dessas ocasiões, segundo relata a coletânea I Fioretti di San Francesco, o Irmão Leo o viu levar a mão ao peito e parecer tirar algo de lá e oferecer a uma língua de fogo que descera sobre ele. Perguntando depois o que sucedera, Francisco respondeu:

“Por que vieste aqui, irmão cordeirinho? Diz-me: viste ou ouviste alguma coisa?
“Leo respondeu: Pai, ouvi-te falar e repetir várias vezes: ‘Quem és Tu? Quem és Tu, oh dulcíssimo Deus? E eu quem sou, verme desprezível e teu inútil servo?’

Giotto: Estigmatização de São Francisco (detalhe), c. 1300. Museu do Louvre.

Basílica de São Francisco de Assis, Assis.

“Ao que Francisco disse: Sabe, irmão cordeirinho de Jesus Cristo, que, enquanto eu dizia aquelas palavras que ouviste, eram nesse momento mostradas à minha alma duas luzes, uma a da revelação e do conhecimento do Criador, a outra a do conhecimento de mim mesmo. Quando eu dizia ‘Quem és Tu, oh meu dulcíssimo Deus?’, estava numa luz de contemplação na qual via o abismo de infinita bondade, sabedoria e poder de Deus; e quando dizia ‘Que sou eu, etc.’, estava numa luz de contemplação na qual via a profundidade lamentável da minha abjeção e miséria, e era por isso que indagava do Senhor da infinita bondade o mistério de Ele dignar-Se a visitar-me, a mim que não sou mais que um verme desprezível e inútil. E entre outras coisas que Ele me disse, pediu-me que Lhe fizesse três dádivas, e eu respondi-Lhe: ‘Meu Senhor, sou Teu, e bem sabes que nada tenho além da túnica, da corda e das bragas, e estas três coisas também são Tuas. Que posso pois oferecer ou dar à Tua majestade?’ Então Deus disse-me: ‘Procura no teu íntimo e oferece-me o que lá encontrares.’ Eu procurei e encontrei lá uma bola de ouro e ofereci-a a Deus; e fiz isso três vezes, pois três vezes Deus mo ordenou; depois ajoelhei três vezes e bendisse e agradeci a Deus que me dera alguma coisa para eu Lhe oferecer. E logo me foi dado compreender que essas três oferendas significavam a santa obediência, a extrema pobreza e a belíssima castidade que Deus, por Sua graça, me concedeu observar tão perfeitamente. E como Deus depositara no meu íntimo aquelas três bolas de ouro, assim também deu à minha alma essa virtude de sempre O louvar e enaltecer, com o coração e a boca, por todos os bens e por todas as graças que Ele me concedeu, por Sua santíssima bondade.”21

Durante uma dessas meditações, em 14 de setembro de 1224, no dia da festa da Exaltação da Cruz, Francisco viu a figura de um homem com seis asas, semelhante a um serafim, e pregado a uma cruz, e à medida que continuava na contemplação, que lhe dava imensa felicidade mas era sombreada de tristeza, sentiu se abrirem em seu corpo as feridas que o tornaram uma imitação do próprio Cristo crucificado. Foi, dessa forma, o primeiro cristão a ser estigmatizado, mas enquanto isso lhe trazia alegria, sendo um sinal do favor divino, foi-lhe motivo de muito embaraço e sofrimento físico. Sempre tentou ocultar os estigmas com faixas e seu hábito, e poucos irmãos os viram enquanto ele viveu. Mas eles lhe causavam muita dor e com isso dificultavam seus movimentos, além de sangrarem com frequência. Muitas vezes teve de ser carregado por não poder andar, ou teve de viajar sobre uma mula, o que não era permitido aos irmãos por ser um luxo. Também padeceu de outras enfermidades, ficou quase cego, e as suas dores de cabeça eram terríveis, mas apesar de receber ordem de procurar tratamento, os médicos nada puderam fazer para aliviá-lo. Passou algum tempo sob os cuidados de Clara, e ali deve ter composto, em 1225, seu Cântico ao irmão Sol, mas sua condição se deteriorava diariamente, e ditou seuTestamento. Melhorou então, e viajou para um eremitério perto de Cortona, mas ali piorou novamente, e foi levado para Assis, hospedando-se na casa do bispo em meados de 1226. Pouco depois, pediu para ser levado à Porciúncula, para que pudesse morrer entre os irmãos.20

Sentindo a morte próxima, solicitou a uma amiga romana, a nobre Jacopa de’ Settesoli, que trouxesse o necessário para seu sepultamento, e também alguma comida bem preparada, que ele havia provado em sua residência em Roma e que deveria aliviar seu sofrimento. Foi despedir-se de Clara e das irmãs em São Damião e voltou à Porciúncula, deu instruções para ser sepultado nu, e no por do sol de 3 de outubro de 1226, depois de ler algumas passagens do Evangelho, faleceu rodeado de seus companheiros, nobres amigos e outras personalidades. As fontes antigas dizem que nesse momento um bando de aves veio pousar no telhado e cantou.22 Logo em seguida o Irmão Elias notificou a todos de seu desaparecimento e divulgou sua estigmatização, até ali mantida em sigilo, seu corpo foi examinado por muitas testemunhas a fim de comprová-lo, e o povo de Assis e dos arredores acorreu para prestar-lhe sua última homenagem.23

Foi enterrado no dia seguinte na igreja de São Jorge. Menos de dois anos depois, o papa Gregório IX foi pessoalmente para Assis para canonizá-lo, o que aconteceu em 6 de julho de 1228 com grande pompa. Em 1230 foi inaugurada uma nova basílica em Assis, que recebeu seu nome e hoje guarda as suas relíquias e abriga o seu túmulo definitivo. A basílica foi decorada no fim do século XIII por Giotto di Bondone com uma grande série de afrescos que retratam a vida do santo.22

Sua aparência

Este retrato, de autor anônimo, é considerado, sem certeza, uma cópia do século XIV do único retrato que teria sido feito ainda em vida do santo, por encomenda de Jacopa de’ Settesoli. Está conservado em Greccio.

Segundo a descrição deixada por Tomás de Celano a aparência física de Francisco era extremamente agradável, e sua face refletia a inocência de sua vida, a pureza de seu coração e o ardor do fogo divino que o consumia. Era de estatura um pouco abaixo da média, cabeça proporcionada e redonda, com a face alongada e nariz reto e fino, pescoço esguio, testa plana e curta, olhos negros e límpidos, cabelos castanhos, orelhas pequenas. Sua voz era forte, doce, clara e sonora; os dentes eram unidos, alinhados e brancos, os lábios pequenos e delgados, a barba era preta e um tanto rala; seus ombros eram direitos, os braços curtos, as mãos delicadas com dedos longos, as pernas delgadas, pés pequenos, pele fina e sempre muito magro.24 Sua visão de si mesmo era, porém, oposta: descrevia-se como um “franguinho preto”, e o retrato pintado no Fioretti segue a mesma linha, mostrando-o como um homem miúdo de aspecto muito desprezível e vil e que por esse motivo nunca conseguia muitas esmolas entre gentes que não o conheciam.25

Contexto histórico

Um século antes de Francisco nascer a espiritualidade europeia estava principalmente concentrada nos mosteiros enclausurados, desenvolvendo-se de uma forma introvertida e contemplativa que tinha muito de pessimismo em relação ao mundo e ao ser humano. Eram também os maiores centros de cultura erudita, em suas bibliotecas e através de suas oficinas de copistas se preservou boa parte do que hoje se conhece de literatura clássica, e seus membros muitas vezes alcançaram níveis altos e refinados de pensamento abstrato e teológico, com grande penetração psicológica. Os monges eram pessoalmente pobres mas nada lhes faltava de sustento material, pois suas Ordens eram muitos ricas, recebendo doações da nobreza e do povo, possuindo grandes extensões de terra e muitos tesouros em suas igrejas. De qualquer modo, na percepção daquela época uma vida de monge era o caminho mais garantido, na verdade praticamente o único, para a conquista do Paraíso, e era comum que leigos, depois de terem vivido a maior parte de suas vidas no desfrute do mundo, ao sentirem a morte se aproximar deixassem suas famílias para ingressar em um mosteiro, num processo que veio a ser chamado de “piedade fugitiva”, esperando que a conversão, mesmo de última hora, fosse suficiente para alcançar a recompensa eterna. Acompanhando esse modo de pensar, era uma crença corrente de que o céu tinha uma população reduzida, e que ela era composta na maior parte de monges.26 27

No decorrer do século XII começou a se verificar uma mudança, a sociedade passou a demonstrar um crescente otimismo quanto às coisas espirituais, e parecia mais fácil à gente comum partilhar do Paraíso com os monges. Essa mudança se explica através de dois fatores principais – a concepção de Deus se tornou mais amorosa e benévola, e os doutores das faculdades de teologia, especialmente os proto-humanistas de Paris, elaboraram e divulgaram o conceito do Purgatório, que previa para após a morte uma estadia temporária num plano intermédio entre terra e céu onde as almas seriam purificadas de seus pecados veniais, possibilitando seu acesso à beatitude algum tempo depois. No encerramento do século Hugo de Avalon veio reforçar esse otimismo dizendo que o céu não era um destino exclusivo para os monges e autoridades da Igreja, e que no Juízo Final todos seriam julgados de acordo com sua observância dos princípios do Cristianismo, e não do monasticismo. Francisco nasceu nesse momento de abertura, e embora mantivesse em parte o modelo da ascese em renúncia pessoal do mundo, buscou a santificação de toda a família humana em comunhão e em íntimo contato com seus semelhantes numa pregação itinerante dentro dos centros urbanos, sem estar vinculado a nenhum núcleo religioso fixo no espaço e sem submeter-se à clausura nem às armadilhas da erudição.26 Num período em que o modelo feudal entravam em declínio e emergia a burguesia mercantil como grande força econômica, tentou ensinar aos novos poderosos a responsabilidade social e os perigos que trazia sua riqueza, e aos miseráveis as virtudes e possibilidades espirituais ocultas em sua condição desfavorecida e seu valor inalienável como filhos de Deus, mostrando a todos que a religião podia ser fonte de alegria e não causa de opressão, e apresentando novas alternativas de expressão para uma espiritualidade que estava num processo de transição, o qual se não fosse iluminado por seu exemplo de fraternidade e obediência estrita às instituições religiosas estabelecidas poderia resultar num beco sem saída ou na revolta cismática.28 29 Como observou Susan McMichaels, deve-se entender a renovação franciscana da vida religiosa de seu tempo dentro de parâmetros limitados, já que a Igreja Católica, mesmo nessa fase de mudança, ainda era a principal força social da Europa, tinha autoridade sobre reis e imperadores, e qualquer movimento excessivamente heterodoxo facilmente era condenado como heresia e seus membros, nesse caso, ficavam sujeitos a um destino de perseguição e morte.30

Wenzel HollarSão Francisco em retiro, século XVII. Universidade de Toronto.

Giotto: Expulsão dos demônios de Arezzo, 1297-1299. Basílica de São Francisco de Assis, Assis.

Por fim, ao estudar a biografia de um santo, a pesquisa moderna se depara constantemente com o problema de como encarar seusmilagres e outros prodígios que se lhe atribuem. Roger Sorrell lembra que os relatos que envolvem o controle taumatúrgico das forças naturais e dos seres irracionais são frequentemente descartados hoje como fruto de alucinaçãofantasia ou superstição, mas essa postura impede uma apreciação correta do ethos ascético e místico, e é irrelevante para o contexto histórico. Esse ethos envolvia a crença de que o mundo poderia ter sua harmonia restaurada através de uma vida de acordo com o mandamento divino. O antigo ascetaSanto Antônio do Deserto dizia que a Criação era um livro onde podia ler as palavras de Deus, e essa opinião era comum entre vários outros místicos. Nesse sentido, se o asceta estava em harmonia com Deus, se tornava possível um diálogo efetivo e inteligível com todo o mundo criado, e a natureza aparentemente hostil e muda para o homem comum se tornava amistosa e responsiva para o místico em comunhão divina. A psicologia moderna também diz coisa semelhante quando afirma que a reação de uma pessoa ao seu ambiente reflete seu estado psíquico interior. Francisco de Assis se insere nessa longa linhagem de santos ascetas, taumaturgos e místicos; certamente estava familiarizado com as histórias dos santos antigos, a própria Assis dera nascimento a vários santos e mártires antes dele, e, leitor assíduo da Bíblia, em especial do Novo Testamento, devia também conhecer passagens que referem à integração entre as criaturas e o Criador, como em Romanos I:20: “Porque as coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas…”, ou em Timóteo IV:4-5: “Porque toda a criatura de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebida com ações de graças. Porque pela palavra de Deus e pela oração é santificada”. Para o seu tempo o milagroso era parte integrante da verdade corrente. Por outro lado, muitos dos fenômenos maravilhosos encontrados nas narrativas sobre a sua vida, se não eram explicáveis naquele tempo, poderiam sê-lo hoje, com a ressalva de que mesmo a ciência e a psicologia, por avançadas que estejam atualmente, ainda não são capazes de explicar todos os fenômenos naturais do mundo ou os da mente, e o problema permanece, pois, irresolvido.31

As fontes documentais primitivas e a historiografia moderna

Francisco deixou escritos, que apesar de poucos e sucintos são uma fonte de grande importância para o conhecimento de suas ideias e objetivos, mas ele não escreveu sua própria história e foi sempre muito avesso a relatar sua vida privada, tarefa que ficou para seus biógrafos. Diversos daqueles documentos são de autoria controvertida, e são-lhe atribuídos mais pela tradição do que por qualquer outro motivo, não havendo provas que os autentiquem. É o caso da famosa Epistola ad populorum rectores (Carta aos governantes dos povos) e o da Epistola ad fratrem Antonium (Carta ao Irmão Antônio de Pádua). O seu conteúdo, no contexto do pensamento franciscano mais reconhecido, é pouco congruente. A primeira é uma admonição apocalíptica, mas se a preparação para o Juízo Final era uma preocupação para Francisco, não há evidência de que ele o considerasse um evento iminente, como o texto da carta sugere. Quanto à segunda, a aprovação que faz do estudo teológico erudito não parece concordar com a marcada inclinação de Francisco para a simplicidade. Seja como for, sua autenticidade é um problema ainda em aberto. A Regula (Regra primitiva) da Ordem, que escreveu de próprio punho entre 1209 e 1210, teve seu original perdido, e a reconstituição que foi feita mais tarde é, assim, incerta, mas crê-se que trechos dela sobrevivam em pelo menos três fontes secundárias, o códice fragmentário da Catedral de Worcester, a Explicação da Regra escrita por Hugo de Digne entre 1245 e 1255, e a Vita secunda Sancti Francisci, de Tomás de Celano, além de ter sido a fonte básica para a elaboração da Regula non bullata (Regra não bulada) e da Regula bullata (Regra bulada). Também autógrafa é aBenedictio fratri Leoni data (Bênção ao irmão Leo), e que está preservada na Basílica de Assis. Seu Testamentum (Testamento) deve ser autêntico, ainda que ditado a outrem, e nele ele faz uma apologia do trabalho cotidiano e manual, expressando o desejo de que todos os Irmãos trabalhassem como ele de forma honesta. Também parece estar fora de dúvida sua autoria do Cantico di frate Sole (Cântico do irmão Sol), que é uma bela demonstração de sua veia mística e também de seu talento poético, mas outros poemas que ele, segundo a tradição, escreveu em italianolatim e francês, foram perdidos.32 33 34 Suas Admoestações, uma coleção de 28 textos curtos, podem ter sido escritas a partir de suas próprias palavras, mas o texto em si muito provavelmente não é de sua lavra. O fragmento Audite, poverelle (Ouvi, pobrezinhas), escrito para as Clarissas, descoberto em 1976 em dois manuscritos do século XIV, parece ser autêntico, do mesmo modo que a Forma vivendi Sanctae Clarae data (Forma de vida para Santa Clara) e a Ultima voluntas Sanctae Clarae scripta (Última vontade para Santa Clara), que sobreviveram em cópias de Santa Clara inclusas em sua própria Regra. Também sobrevivem um punhado de cartas a destinatários diversos, orações e fragmentos vários, e embora sua autenticidade seja debatida e se encontrem registrados apenas em manuscritos posteriores, muitos desses textos são considerados originais.33 A vastamente popular Oração de São Francisco, a que inicia com as palavras Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz…, não é de sua autoria, tendo sido escrita em 1913 e publicada em um magazine francês anonimamente.35

Carta autógrafa de S. Francisco para o Irmão Leo

Giotto: A verificação dos estigmas de São Francisco após sua morte, 1297-1299. Basílica de São Francisco de Assis, Assis.

A célebre Legenda maior Sancti Francisci (História de São Francisco, 1263), de São Boaventura, que sobreviveu em inúmeras cópias, não parece ser de muita utilidade. Apesar de ele a ter elaborado a partir de fontes de primeira mão, sua preocupação com a harmonização da comunidade franciscana e a ausência naquela época de métodos de referência científica fazem dela um relato excessivamente poético e fantasioso, quando não claramente parcial, da vida de Francisco. Se ela tem um lugar garantido na tradição piedosa e devocional, no estudo histórico acadêmico não sucede da mesma forma, e os peritos apontam nela uma série de contradições, a evidência de uma compilação seletiva de suas fontes e de um propósito de com ela criar uma imagem unificada e positiva da Ordem segundo a visão original de Francisco, numa época em que ela estava já agitada por dissidências internas e enriquecia a olhos vistos. Entretanto, essa Legenda se tornou canônica, já que em 1266 o Capítulo Geral da Ordem se reuniu e decidiu que os irmãos não deveriam ler nenhuma outra biografia que não essa, e determinou a destruição de todas as outras que se haviam escrito até então, o que causou a perda de muita documentação importante. No século XIV Bartolomeu de Pisa escreveu um novo relato biográfico, aprovado pelo Capítulo Geral em 1399 como sendo o mais veraz, mas esta obra é considerada pela crítica moderna literariamente medíocre e de pouco valor documental. Afortunadamente a partir do século XVII foram sendo encontradas cópias de outros documentos dados como perdidos, suprindo em parte a imensa lacuna deixada pela supressão de fontes antigas em 1266.36

Vita prima Sancti Francisci (Primeira biografia de São Francisco, 1228), de Celano, escrita a pedido do papa Gregório IX, foi resumida pelo autor em 1230 sob o nome de Legenda ad usum chori, mas apesar de ser uma obra de refinado estilo, ela padece também de parcialidade. Celano novamente foi chamado em 1244 para escrever uma versão ampliada da Vita prima, dando outras informações trazidas por frades que haviam conhecido bem a Francisco e integravam seu primeiro círculo de associados, como Rufino, Leo e Angelo, o que resultou na Vita secunda Sancti Francisci (1245). Esta nova versão foi concebida numa linha rigorista, sem enfatizar os milagres do santo e tentando oferecer uma visão de sua trajetória mais de acordo com a que ele mantivera em vida, de certa forma atendendo melhor ao critério de verdade histórica apreciado contemporaneamente. Mas a obra não teve especial aceitação na sua época, pois era grande o desejo de todos por narrações fantásticas e maravilhosas, de modo que mais uma vez Celano foi convocado ao trabalho, desta vez para escrever o Tractatus de Miraculis Sancti Francisci (Tratado sobre os Milagres de São Francisco), de 1253.33 36 37

Outras fontes importantes são a Legenda trium sociorum (História dos três companheiros, 1246), anônima, uma compilação de material heterogêneo; o Actus beati Francisci et sociorum ejus (Atos do beato Francisco e seus companheiros, c. 1331-1337), de Ugolino de Montegiorgio, podendo incluir material original do Irmão Leo; o breve épico Sacrum commercium beati Francisci cum domina Pauperate(A sacra aliança entre São Francisco e a Senhora Pobreza, c. 1260 – 1270?), que deriva de um tema caro a Francisco; a coleção informal de episódios da vida de Francisco conhecida como I Fioretti di San Francesco (Florilégio de São Francisco, c. 1340), uma reelaboração livre do Actus que se tornou muito popular; o Speculum perfectionis (Espelho de perfeição, 1318, duas versões), o mais copiado depois da Legenda maior; a Compilação de Assis (1310-1312, com sua variante a Legenda perusina), e por fim a Legenda antiqua (História antiga), quase certamente de autoria do Irmão Leo. Existem ainda algumas outras fontes primitivas, mas em sua maioria são derivações dessas já citadas.36

No final do século XIX, já dispondo de uma metodologia e de uma visão historiográfica mais científica e consistente, os estudiosos começaram um trabalho de revisão do material antigo disponível. O primeiro estudo nesses moldes foi publicado em 1894 peloprotestante Paul Sabatier, em sua Vida de São Francisco de Assis, e desde então eles se multiplicaram de forma abundante. No início do século XX toda a literatura biográfica e folclórica escrita em torno de Francisco nos séculos XIII e XIV que foi recuperada, foi compilada por eruditos franciscanos no Analecta Franciscana, de mais de 800 páginas, mas para os estudiosos modernos essas fontes primitivas, apesar de essenciais e incontornáveis, apresentam diversos problemas que as impedem de ser consideradas inteiramente fidedignas, principalmente pela incerteza sobre a datação da maioria delas, por suas contradições e imprecisões, por adornarem as passagens da sua vida com uma profusão de lendas maravilhosas cuja comprovação se faz muito difícil, e por muito frequentemente o retratarem apenas como um herói da fé, com escassa menção aos problemas que a Ordem enfrentava em sua morte e aos seus conflitos com a Igreja estabelecida, e colorindo seu caráter com apreciações carregadas de emocionalismo. Embora se acredite que não haja motivos importantes para se duvidar da pureza das intenções e da vida de Francisco, nem de sua importância para a história da religião Católica e para a devoção moderna, toda a substância dos relatos parece ser pouco objetiva.38

O legado de suas ideias e de seu exemplo de vida

A fama de santidade que granjeou em vida e perdura até os dias de hoje não decorreu de grandes manifestações de erudição religiosa, que jamais fez questão de possuir, e tampouco de seus milagres, que não obstante foram muitos e impressionantes, mas do seu exemplo de uma vida de completa dedicação ao próximo, dedicação que era animada por uma compreensão profunda, uma sinceridade espontânea, uma simplicidade autêntica em todas as coisas, qualidades banhadas de uma calorosa fraternidade, simpatia e caridade. Todos os seus primeiros biógrafos ressaltam esses aspectos de seu caráter, e por esses motivos sua figura é também admirada por muitos fora da esfera do Catolicismo.32 Na visão de seus contemporâneos ele era o mais perfeito seguidor de Jesus Cristo, e sua presença em qualquer cidade era sempre um acontecimento, enquanto que seus irmãos eram tidos na mais alta estima por muitos prelados importantes e autoridades civis. Para Jacques de Vitry, bispo de Acre, sua aparição foi o consolo de um século corrupto,39 e na bula Mira circa nos de sua canonização foi descrito como aquele que entrou no céu “precedendo muitos dotados de ciência, ele que deliberadamente era sem ciência e sabiamente ignorante”.40

A despeito das críticas a que ele é ocasionalmente submetido, que o acusam de obscurecer a figura do próprio Jesus,41 e das dúvidas que às vezes surgem sobre sua sanidade mental em vista de seu caráter emocional arrebatado, suas oscilações entre extremos de intensa euforia quando falava de Deus e de profunda tristeza quando observava suas supostas fraquezas, sua imaginação exuberante e pelas constantes visões e revelações que alegava ter,42 para Kenneth Wolf sua enorme importância histórica e espiritual se confirma na abundante literatura devocional e erudita que é continuamente produzida sobre ele nos tempos recentes, e assinala que mesmo os acadêmicos laicos, por mais distanciados que procurem se manter de uma análise emocional e adulatória de sua vida e obras, acabam com frequência por reconduzí-lo ao pedestal de onde o baixaram para seus estudos científicos.41

As virtudes, a disciplina e o relacionamento entre os irmãos

SassettaCasamento de São Francisco com a Senhora Pobreza, 1437-44. Museu Condé. (As duas outras figuras femininas representam a Obediência e a Castidade).

Para Francisco a pobreza, a “Senhora Pobreza” que ele costumava dizer ter desposado, não era um objetivo, mas antes um instrumento pelo qual se podia obter a purificação necessária para a habitação de Deus no interior de cada um e para a perfeita comunhão com o semelhante, metas frente às quais todas as outras considerações eram subordinadas. O outro instrumento privilegiado para isso era a imitação do exemplo de vida dado por Cristo nos Evangelhos, e para tanto a obediência era fundamental. Cristo fora pobre, e assim os irmãos também o seriam, e ela devia ser entendida por todos os seus companheiros não só como uma disciplina deascetismo em si, mas como fonte de verdadeira graça e alegria.43

Mas além da pobreza exterior, comandada expressamente na sua Regra primitiva, que proibia os monges até de andarem calçados e possuírem domicílio fixo, Francisco enfatizava a pobreza interior, entendida no despojamento de toda pretensão a aquisições intelectuais e mesmo morais e espirituais, consideradas como formas dissimuladas de obter domínio sobre os outros e como expressões de orgulho e individualismo.44 Por outro lado, Wolf aponta para alguns paradoxos em suas posições sobre a pobreza, e para ele parece claro que Francisco assumiu a pobreza neste mundo para ser investido de riquezas no céu. Além disso, o autor sugere que seu exemplo pouco fez para mudar a mentalidade de seus contemporâneos sobre a pobreza da população em geral ou para chamar a atenção para as vantagens da pobreza como um modo de vida, e ele parece ter-se tornado involuntariamente o destinatário da maior parte das esmolas e doações na Úmbria, cujos doadores estavam possivelmente mais interessados nos ganhos secundários que deviam advir do apoio a um grande e famoso santo, deixando os outros pobres, que não haviam escolhido voluntariamente sua própria pobreza, ainda entregues à própria sorte.41 Entretanto, Voegelin considera que foi uma escolha sábia ele ter buscado imitar antes a pobreza e os sofrimentos de Cristo, ou seja, o seu lado eminentemente humano, uma vez que a tentativa de imitá-lo em sua glória teria sido impossível. Fez, desse modo, o que estava dentro do alcance de um homem fazer diante de um modelo ideal que em sua natureza mais íntima era excessivamente transcendental para ser transposto para o mundo da vida objetiva.45

Dentro das suas práticas de austeridade era dada atenção especial ao corpo humano, a quem ele chamou de “Irmão Burrico”, pois ao mesmo tempo em que ele era um inimigo e uma grande fonte de pecado, também era um instrumento para a salvação por ser o único veículo através do qual se podia levar a cabo todo o trabalho, e era ainda o campo de batalha onde se efetuava a luta espiritual, e por isso devia ser constantemente mantido sob estrita vigilância e disciplina férrea. Por outro lado, assim como Cristo suportara benignamente as grandes dores de sua Paixão, todas as aflições e doenças corporais deviam ser aceitas com paciência e alegria e encaradas como formas de purificação, o que incluía a resistência às urgências sexuais, preservando-se completa castidade, e aos apelos da gula e do desejo por confortos físicos. Mas também o corpo era visto como uma maravilha, uma das formas de expressão da bondade e da beleza de Deus, já que segundo as Escrituras o homem fora feito à imagem e semelhança da divindade, e seu corpo, depois de purificado, havia de ser o templo vivo do Deus vivo.34

Niccolò Antonio ColantonioSão Francisco dando a Regra para as suas Ordens, c. 1440-1470. Museu de Capodimonte.

Como administrador da Ordem era benevolente, exuberante e caloroso no trato, almejava uma observância voluntária da Regra e quando necessário exigia a obediência, mas com doçura, persuasão e humor; era brando no apontar as faltas de seus companheiros e perspicaz ao encontrar sempre o corretivo mais proveitoso, estimulava a independência, a sinceridade e a criatividade dos irmãos, fomentava a harmonia entre todos e contraindicava grandes exercícios de ascese; era rigoroso sobretudo consigo mesmo, imaginando sempre novas formas de autonegação, impondo-se inúmeras mortificações e penitências por deslizes mínimos, e acusando-se repetidamente de fraqueza e indignidade e uma multidão de vícios que só ele percebia em si.27 46

Dos leigos, que não haviam feito votos sagrados, não esperava tanta disciplina, e Francisco em vez de denunciar e condenar seus hábitos, como faziam outras Ordens, buscava que as atividades do mundo não fossem suprimidas, antes, que fossem realizadas num espírito de reverência para com o Criador de todas as coisas, o que se estendia para a atividade sexual, mas a ser realizada preferencialmente dentro do estado conjugal.47 Apesar de prescrever aos irmãos que mantivessem distância das mulheres, não parece ter nutrido preconceitos contra elas; a separação de sexos nas Ordens religiosas era uma praxe, assim como o celibato, dessa forma a distância era uma medida de precaução contra as tentações da carne; além disso foi um grande devoto da Virgem Maria, parece ter mantido uma relação afetiva especial para com Santa Clara, vendo nela ainda uma liderança natural e uma continuadora de sua obra, e em seus escritos, bem como nos dos seus biógrafos, abundam referências a ele e aos irmãos como mães uns dos outros, como esposas de Jesus e como gestantes do espírito de Deus, numa simbologia reversa que era comum no seu tempo e não causava surpresa.48 49

Entre os irmãos era proibida toda observação de hierarquia salvo para com os superiores indicados regularmente e para com o papa, mas eram obrigados a servir uns aos outros à primeira necessidade e sem questionamento, incluindo o dever de lavarem os pés uns dos outros como forma de praticar a humildade. Não deviam expressar críticas ou emitir julgamentos nem entre si nem dirigí-los para as outras pessoas, nem combater os heréticos, não podiam se envolver em querelas, nem devolver insultos ou agressões físicas. Ao contrário, deviam “ser meigos, pacíficos e despretensiosos, gentis e humildes, falando com todos educadamente”. Francisco foi o primeiro na história do Cristianismo a chamar sua comunidade de fraternidade.44 50

Depois de sua conversão alimentou sempre desconfiança contra os estudos eruditos, ele próprio recebeu em sua juventude uma educação medíocre e jamais foi ordenadosacerdote, não podendo celebrar a missa, permanecendo apenas como diácono por outorga especial de Inocêncio III, e alertou seus companheiros várias vezes para não se basearem em preceitos derivados de interpretações individuais de textos sagrados, mesmo aquelas emanadas do alto clero e dos doutores sacros. Considerava o texto da Bíbliaimpecável e inalterável, pois, de acordo com a tradição de sua época, fora ditado diretamente por Deus e não carecia assim que fosse corrigido ou parafraseado, e da mesma forma envidou esforços para que seus próprios escritos não fossem reinterpretados ou adulterados por terceiros – não obstante seus cuidados, sua Regra primitiva foi reformada várias vezes contra a sua vontade e seu Testamento, que havia sido dado como um complemento à Regra para ser lido sempre que a Regra o fosse, foi desautorizado pelo papa poucos anos depois de sua morte.15 51

Dessa forma, sem estudos profundos, atendo-se literalmente à palavra escrita na Bíblia e observando à risca o ritual elaborado pela Igreja constituída, sua religiosidade, segundo Raoul Manselli, se colocava absolutamente numa dimensão originária do nível popular, como se podia esperar do povo comum de seu tempo e no seu caso de um filho de mercador, ainda que ela tenha sido extraordinariamente enriquecida com sua própria e intensa experiência do fenômeno religioso e com sua intuição pessoal – ou com o auxílio das revelações que recebia – para dar-lhe sentido prático, e foi essa sua contribuição adicional a uma tradição já estabelecida que deu originalidade para o movimento que ele iniciou.52

O hábito de São Francisco, todo remendado de trapos, preservado na Basílica de Assis

Sua insistência na pobreza total – não só individualmente, mas para a Ordem também – na simplicidade em tudo e no rigor da disciplina foi o maior foco de discórdia na consolidação interna de seu grupo, e foi vista pela comunidade laica de sua região como um elemento de subversão social; ainda em sua vida ela foi posta em xeque por seus irmãos e com ainda mais força pela alta hierarquia católica, que sentiu-se ameaçada na perspectiva de que a extrema pobreza franciscana fosse tomada como um sinal de pureza maior do que a da própria Igreja, e que isso fosse usado por aqueles que combatiam a corrupção do clero em detrimento da instituição.50 51 53 A exigência acabou por ser em muito atenuada, contra a sua vontade expressa, e menos de um século depois de seu falecimento a Ordem dos Franciscanos já era tão rica quanto as outras Ordens e muitos de seus membros haviam se tornado grandes doutores eruditos e ocupantes de importantes cargos na Igreja e nas universidades, com o resultado da perda de grande parte de seu carisma original e o surgimento de sentimentos de desilusão e cinismo em larga escala. Segundo a opinião de Kleinberg & Todd, a “domesticação” dos franciscanos e sua inserção definitiva no esquema monástico-clerical padrão foi um dos fatores que levaram a uma radical queda do prestígio da Igreja na Idade Média tardia,51 mas seu exemplo de fraternidade e de engajamento autêntico com a vida dos pobres tem presentemente um grande valor inspiracional para os teólogos da libertação em suas lutas políticas no Terceiro Mundo.54

Benozzo GozzoliPregação de São Francisco aos animais e aos homens, 1452. Convento de São Fortunato, Montefalco.

Pregador e pacificador

Os testemunhos de época relatam que seu estilo de pregação era direto e simples, usando o vernáculo, longe da eloquência sacra de seu tempo, mas afirmam que sua sinceridade e compreensão das dificuldades da vida popular, sua habilidade em evocar imagens ilustrativas vivazes em pequenas parábolas ou histórias retiradas de suas experiências do cotidiano entre o povo, e sua capacidade de apresentar a doutrina cristã de forma inteligível, faziam que seu discurso tivesse um efeito persuasivo profundo. Também fazia uso do humor e de uma atuação que tinha muito de teatral, a fim de que a mensagem se fizesse mais acessível e atraente,51 55 56 e usualmente solicitava permissão da autoridade religiosa local para iniciar sua fala ao povo. Às vezes acompanhava a pregação com o canto de hinos sacros, alguns compostos em letra e música por ele mesmo, e chamava a si e seus irmãos de “os menestréis de Deus”.57

Sua paciência e bondade para com todos fizeram com que fosse procurado constantemente por pessoas de todas as posições sociais que iam a ele em busca de conselho e orientação, e a todos instruía na melhor forma de alcançar a salvação na condição em que se encontravam, regozijando-se em ver que suas palavras amiúde davam frutos positivos e que os costumes se iam reformando gradualmente. No florido estilo de sua Vita prima Celano afirma que em virtude de sua presença e atuação em pouco tempo toda a Úmbria se havia transformado, e se tornara um lugar mais aprazível.26Francisco desejava acima de tudo que os irmãos pregassem através do exemplo pessoal, conseguido na imitação do exemplo de Cristo, e o modelo monástico que ele implementou representa uma transição entre o monasticismo medievalenclausurado e as novas formas de vida apostólica que mais tarde se consolidaram, mais abertas para o mundo exterior e mais dedicadas ao serviço prático para com os necessitados, e fez essa reforma sem jamais ter pretendido ser um reformador. Outra de suas contribuições foi a de enfatizar a paz, a tolerância, o respeito e a concórdia, e ele sempre teve a convicção de que os irmãos deviam ser pacificadores, o que deixou expresso em vários escritos e foi repetido por seus biógrafos. Mesmo nas missões que enviou para entre os muçulmanos fez recomendações para que os missionários mantivessem uma postura de respeito para com as manifestações da divindade em todos os credos e de sujeição às leis civis locais, e que evitassem se envolver em disputas teológicas. Ele pessoalmente conseguiu a paz em vários conflitos internos nas cidades italianas de Arezzo,PeruggiaSienaGubbio e Bolonha, e pouco antes de morrer, já gravemente enfermo, fez a paz entre o bispo e o poder civil em Assis, o que não deixa de ter conotações simbólicas, apontando para seu perene desejo de reconciliação entre a religião e o mundo profano.58

Como Cristo recomendara a seus apóstolos que em cada casa em que entrassem dissessem “Que a paz do Senhor esteja nesta casa”, usualmente Francisco costumava iniciar e terminar suas prédicas com a proclamação da paz.59 60 A seus próprios seguidores, Francisco dissera: “Assim como anunciais a paz pela boca, estejais certos de que a paz esteja em vossos corações”. A saudação Pax et bonum (Paz e bem), que usava frequentemente, se tornou mais tarde o lema da sua Ordem61 62 e também da cidade de Assis.63Em 2002 o papa João Paulo II presidiu uma cerimônia em Assis que reuniu duzentos líderes de vinte e quatro religiões para que fosse celebrado um Dia Internacional de Preces para a Paz no Mundo. Foi elaborado o documento O Decálogo da Paz de Assis e enviado para todos os Chefes de Estado do mundo, e no encerramento da cerimônia todos trocaram o beijo da paz enquanto era cantado o Cântico ao irmão Sol.64

O místico

Ver artigo principal: Misticismo

Segundo Bernard McGinn o elemento místico no Cristianismo é aquela parte da crença e das práticas que preparam e conscientizam o indivíduo para aquilo que pode ser descrito como a presença imediata e direta de Deus, mas para Paul Lachance o misticismo pessoal de Francisco, parte tão proeminente de sua vida, até há pouco tempo vinha sendo estudado quase apenas a partir das biografias escritas sobre ele e das numerosas lendas criadas a seu respeito, com pouca atenção ao que ele mesmo expressara em seus escritos ou fora registrado a partir de suas próprias palavras – até onde é possível considerar a documentação a ele atribuída como autêntica. Mesmo na tradição cristã que o considera, obviamente, um santo, poucas vezes ele é descrito como um místico, e esse silêncio também se deve ao fato de que o estudo de sua experiência interior é extremamente difícil, pois ele poucas vezes falou diretamente no assunto e seus escritos dão apenas indicações indiretas. Nisso ele seguiu na contramão da tendência de seu tempo entre as outras Ordens religiosas, cuja literatura é muito mais abundante e explícita a esse respeito, e seu modo de ser estava muito mais relacionado com o dos cristãos primitivos, dos primeiros padres do deserto e dos patriarcas do oriente, para quem as revelações autobiográficas eram coisa estranha. Um dos documentos que dão uma primeira ideia sobre sua visão sobre a divindade é a própria Regra Primitiva, o seu primeiro credo expresso em sua pureza, a qual, embora perdido seu original, crê-se que sobreviva em fragmentos dispersos entre vários manuscritos. Nesses trechos Deus é mostrado como criador, redentor e salvador, fonte de todo o bem, e essência e objetivo último de todo o ser, sendo “uno, sem início e sem fim, imutável, invisível, indescritível, inefável, incompreensível, insondável, bendito, digno de louvor, glorioso, exaltado nas alturas, sublime, altíssimo, gentil, amável, deleitável e totalmente desejável acima de tudo para sempre”. Sua atitude diante desse Deus “onipotente, santíssimo, altíssimo e supremo” era de completa sujeição e entrega, movidas por um desejo intenso de “amar, honrar, adorar, servir, louvar e bendizer, glorificar e exaltar, magnificar e agradecer”, e essas cadeias de adjetivos entusiásticos são comuns em todos os seus escritos, e evidenciam que para Francisco Deus era essencialmente inapreensível e maravilhoso sob todos os aspectos, e não deixa de ser tocante o esforço que ele fazia para pelo menos em parte tentar descrever o que não podia ser descrito e menos ainda transmitido a outrem através de palavras.6566

SassettaÊxtase de São Francisco, 1437-44. Coleção particular, Florença.

Na Epistola ad Fideles II (Segunda carta aos fiéis) ele enalteceu o sacramento da Eucaristia, pelo qual tinha uma especial veneração em virtude de a hóstia consagrada ser, segundo o dogma católico, o próprio corpo de Cristo transubstanciado, dado aos homens como uma lembrança perpétua de si mesmo e como dádiva de seu amor, e enfatizou não tanto a simples imitação da vida e paixão de Cristo, mas sim a importância da habitação do Deus vivo no interior de cada um através da descrição dos benefícios recebidos por aquele que obtém esse prêmio:67 68

“O Espírito do Senhor descansará sobre eles e fará neles habitação e morada. E serão filhos do Pai celeste, cujas obras fazem. E são esposas, irmãos e mães de nosso Senhor Jesus Cristo. Somos esposas quando a alma fiel se une a Jesus Cristo através do Espírito Santo. Somos certamente irmãos, quando fazemos a vontade de seu Pai, que está no céu. Somos mães quando o carregamos em nossos corações e corpos através do amor e de uma consciência pura e sincera; damo-lo à luz através de sua santa maneira de operar, a qual deve brilhar diante dos outros como exemplo. Oh, quão glorioso, quão santo e portentoso é ter um Pai no céu! Oh! como é santo ter um esposo consolador, belo e admirável! Oh, quão santo e quão adorável, prazeroso, humilde, tranquilo, doce, amável e desejável acima de todas as coisas ter tal Irmão e Filho, que deu sua vida por suas ovelhas e orou ao Pai por nós dizendo: ‘Pai santo, guarda em teu nome os que me deste’ !”69

Mesmo dando essas descrições indiretas de suas experiências místicas, em nenhum de seus escritos ele as descreve objetivamente, e coube aos seus biógrafos fazerem extrapolações e descrições mais vívidas, cuja veracidade fica sempre sujeita ao imponderável da interpretação alheia. Entretanto, em vários pontos desses documentos posteriores parece sobreviver, discernível através da ornamentação literária, um reflexo autêntico de como apareceram para ele suas visões e êxtases, ou como suportou os frequentes ataques de seres demoníacos, tais como se narra nos Fioretti, do qual um fragmento já foi exposto antes e que descreve o abismo que ele via entre a magnificência de Deus e sua pessoa miserável. De qualquer forma, suas contemplações frequentemente revolviam em torno de trechos da Paixão que lia nos Evangelhos, e nesse sentido ele deu nascimento a uma nova forma de misticismo, o “misticismo Cristomimético” ou de imitação de Cristo, que Ewert Cousins chamou de “misticismo do evento histórico”, que consiste na lembrança de um evento significativo do passado, na entrada em seu conteúdo dramático e na extração a partir dele de uma energia espiritual que eventualmente transporta o contemplador além do evento para a união com Deus. Sua própria estigmatização foi o corolário desse modo de meditar, e que depois dele foi muito explorada por outros místicos como São Boaventura e Santa Clara, e mais uma multidão de outros nos séculos seguintes.34 67

Por fim, o outro aspecto importante a ser analisado no seu misticismo é sua intensa e amorosa relação com a natureza, relação que o tornou modernamente em um patrono dos animais e do meio ambiente. Este aspecto é um dos que mais acusam a originalidade de sua concepção de mundo em relação ao contexto de seu tempo. Embora muitas características de seu misticismo não fossem novas, sendo encontradas nas vidas de vários espirituais anteriores, outras eram inéditas até ali – sua relação direta, pessoal e familiar com todos os elementos constituintes da Criação, sua ênfase no caráter beneficente e não neutro ou ambivalente de todas as coisas e seres do mundo natural, sua exortação literal, e não alegórica, a animais, plantas e objetos inanimados para que servissem e louvassem a Deus, sua proposta de que se criasse legislação para que o povo alimentasse as aves selvagens no inverno no mesmo espírito em que davam esmolas aos pobres, e a inclusão de animais na celebração da missa. Para Francisco toda a Criação estava intimamente interconectada, e para ele era fácil transitar de um nível espiritual para outro e apreciar os múltiplos significados que extraía de sua leitura do “livro da natureza”.70 Eric Voegelin pensa que foi por descobrir e aceitar os mais baixos estratos da Criação como partes do mundo dotadas de significado e dignidade inerentes que ele se tornou uma das figuras mais importantes da história ocidental.45

Mosaico de Maria Ludgera Haberstroh ilustrando o Cântico das Criaturas, na Liebfrauenkirche, Innenhof

Essa forma de ver o mundo ficou expressa com clareza no seu Cântico ao irmão Sol, ou Cântico das Criaturas, onde chamou os ventos, o sol, a lua, o fogo e outros elementos do mundo natural de irmãos e convidava a todos celebrarem juntos a maravilha do mundo e servirem com alegria o seu autor. Neste poema, que além de possuir altas qualidades estéticas marcou o nascimento da literaturavernacular italiana, ele deu um testemunho ao mesmo tempo de sua visão integrada da realidade e do amor que sentia por ela, o que transparece ainda em diversos relatos posteriores de seus biógrafos e nas inúmeras histórias onde os animais estão presentes como co-protagonistas, sempre tratados como irmãos e não raro doutrinados como se fossem pessoas, aproximando-se dele espontaneamente mesmo quando selvagens e dando sinais de compreenderem suas palavras ao obedecerem suas instruções, e nas que contam como andava reverente sobre as rochas ou admirava as flores cheio de júbilo, ou quando defendeu as árvores recomendando aos lenhadores que não cortassem seus troncos muito embaixo, a fim de que elas pudessem renascer.71 72

Cântico também sintetiza o significado profundo e a função essencial da prece para Francisco, o de sempre glorificar a Deus e abençoar o mundo pela palavra e pelo trabalho. A natureza para ele era digna de apreço e admiração porque era uma expressão da divindade onipresente. Mas para Leonardo Boff essa admiração não foi a causa central que o levou a reordenar e purificar sua consciência, mas sim o resultado desse processo, e diz: “Quem quer que tente imitar romanticamente São Francisco em seu amor pela natureza sem passar pelo ascetismo, pela autonegação, pela penitência e pela cruz há de cair na mais profunda das ilusões”.73Complementando essa ideia, numa leitura psicológica de sua vida, McMichaels vê sua experiência pessoal de um Deus imanente, numa época em que a divindade era concebida apenas como transcendente, como um auxílio para que o homem contemporâneo possa transformar positivamente sua própria concepção de mundo, uma concepção cada vez mais desafiada por novas descobertas acerca da natureza última da matéria, do tempo e doespaço, e do poder das forças do inconsciente, e a compara a um processo bem sucedido de individuação por ter se baseado num senso de responsabilidade pessoal e social, por ter compreendido e aceitado a necessidade da luta, da dor e do esforço pelo aperfeiçoamento, e por dar origem a um corpo de valores coletivos integradores.

 

Clara de Assis

Santa Clara de Assis (em italianoSanta Chiara d’Assisi) nascida como Chiara d’Offreducci em Assis (Itália), no dia 16 de Julhode 1193, e falecida em Assis, no dia 11 de Agosto de 1253, foi a fundadora do ramo feminino da ordem franciscana, a chamadaOrdem de Santa Clara (ou Ordem das Clarissas).
Pertencia a uma nobre família e era dotada de grande beleza. Destacou-se desde cedo pela sua caridade e respeito para com os pequenos, tanto que, ao deparar-se com a pobreza evangélica vivida por São Francisco de Assis, foi tomada pela irresistível tendência religiosa de segui-lo.

Enfrentando a oposição da família, que pretendia arranjar-lhe um casamento vantajoso, aos dezoito anos Clara abandonou o seu lar para seguir Jesus mais radicalmente. Para isto foi ao encontro de São Francisco de Assis na Porciúncula e fundou o ramo feminino da Ordem Franciscana, também conhecido por “Damas Pobres” ou Clarissas. Viveu na prática e no amor da mais estrita pobreza.

O seu primeiro milagre foi em vida, demonstrando a sua grande fé. Conta-se que uma das irmãs da sua congregação havia saído para pedir esmolas para os pobres que iam ao mosteiro. Como não conseguiu quase nada, voltou desanimada e foi consolada por Santa Clara que lhe disse: “Confia em Deus!”. Quando a santa se afastou, a outra freira foi pegar no embrulho que trouxera e não conseguiu levantá-lo, pois tudo havia se multiplicado.

Em outra ocasião, aquando da invasão de Assis pelos sarracenos, Santa Clara apanhou o ostensório com a hóstia consagrada e enfrentou o chefe deles, dizendo que Jesus Cristo era mais forte que eles. Os agressores, tomados de repente por inexplicável pânico, fugiram. Por este milagre Santa Clara é representada segurando o Ostensório na mão.

O corpo incorrupto de Santa Clara, em Assis.

Um ano antes de sua morte em 1253, Santa Clara assistiu a Celebração daEucaristia sem precisar sair do seu leito. Neste sentido é que é aclamada como protetora da televisão.

Diversos episódios da vida de Santa Clara e São Francisco compõem os Fioretti de São Francisco1 . Escritos muitos anos após a morte de ambos, é dificil atestar a correção destes relatos, mas, com certeza, retratam bem o espírito de ambos e os primeiros acontecimentos quando da criação das Ordens Franciscanas.

 

Eventos importantes da vida de Santa Clara de Assis
1194 Nascimento de Santa Clara, na casa paterna da praça de São Rufino, em Assis. Filha mais velha de Hortolana e Bernardino.
1200 Estabelecimento da Comuna de Assis. A família de Clara, nobre, refugia-se em Corozano, por causa de uma revolução popular. Depois vai para Perugia onde permanece até1204.
1210 Francisco prega na Catedral de São Rufino, Clara pode estar presente. Neste ano é possível terem-se encontrado.
1211 Encontros com Francisco: Clara tem 17 anos e Francisco 29.
1212 18 de março - Domingo de Ramos - Clara sai de casa e se consagra a Deus na Porciúncula. No dia 19, vai para o mosteiro de São Paulo das Abadessas. Pouco depois vai para ermida de Santo Ângelo de Panço4 ou 5 de abril - Ines, irmã de Clara, se junta a ela em Santo Ângelo de Panço. Pouco tempo depois, Francisco leva-as para São Damião. Em agosto entra Pacífica de Guelfúcio, já em São DamiãoFrancisco dá as irmãs sua primeira forma de vida.
1216 Por conselho de Francisco Clara aceita a regra de São Bento e o título de abadessa. Mas consegue o “privilégio da pobreza” de Inocêncio III.
1218 O papa, Honório III, concede ao Cardeal Hugolino plenos poderes para cuidar das irmãs pobres.
1219 Frei Felipe Longo de Atri se torna visitador das Irmãs Pobres.
1220 Clara recebe a carta do Cardeal Hugolino, logo após a Páscoa, em que ele a chama de “Mãe da minha Salvação”.
1224 Clara começa a estar habitualmente bastante doente.
1225 As monjas de Santo Apolinário adotam a forma de vida de São Damião.
1226 Francisco compõe o Audite Poverelle.
1227 Publicada a bula ”Quoties Cordis” que põe as Clarissas aos cuidados dos frades.
1228 18 de julho - O cardeal Reinaldo lista oficialmente 24 mosteiros.
1234 Inês de Praga entra na Ordem. Clara lhe escreve a primeira carta.
1235 O Papa, pela carta ‘Cum relicata saeculi”, quer que Inês aceite propriedades. O que motiva a segunda carta de Clara.
1237 Com a bula “Omnipotens Deus” o Papa Gregório IX revoga a “Cum relicata Saeculi”
1238 Clara escreve a terceira carta a Inês. E o Papa concede o privilégio da pobreza a Inês.
1240 Com a oração diante do Santíssimo, Clara defende a cidade de Assis do ataque dos sarracenos.
1247 6 de agosto - o Papa Inocêncio IV concede às Clarissas a regra de São Francisco. Clara pode ter começado a escrever seu testamento (só serve de base jurídica).
1248 17 de julho - Uma bula confirma Reinaldo de Segni como Cardeal protetor das Damas Pobres e dos menores
1250 Agrava-se o estado de saúde de Santa Clara, que começa a escrever sua forma de vida definitiva, na redação que conhecemos.
1252 16 de setembro - O Cardeal Reinaldo aprova a forma de vida de Santa Clara.
1253 Clara escreve sua última carta a Santa Inês de Praga. Após uma visita a Clara moribunda, Papa Inocêncio IV manda apressar a aprovação de sua regra pela bula “Solete Anuere”, válida só para São Damião.10 de agosto - A Bula da provação é levada para Clara em seu leito de morte. 11 de agosto - Data da morte de Santa Clara.
1255 15 de agosto - Canonização de Santa Clara, na Catedral de Anagni. Publicação de sua lenda, escrita por Tomás de Celano. Publicação da bula de Canonização “Clara claris Perclara”.
1257 Mudança das Irmãs de São Damião para o proto-mosteiro, junto do corpo de Santa Clara. (Ou em 1260?).
1258 São Boaventura de Bagnoregio é eleito ministro geral.
1259 Aprovação da Regra de Isabel de Longchamp.Carta de São Boaventura às Irmãs de São Damião.
1260 3 de outubro - O corpo de Santa Clara é solenemente trasladado para a basílica que está sendo construída em sua honra ao lado da igreja de São Jorge.Um decreto do capítulo geral de Barcelona manda frades e irmãs celebrarem a festa da trasladação de Santa Clara, no dia 2 de outubro.
1263 18 de outubro - Papa Urbano IV promulga uma nova Regra para as Clarissas (nome pelo qual passam a ser conhecidas as “damianitas”), correção da Regra de Isabel de Longchamp.O capítulo geral dos Frades Menores reconhece como biografia oficial de São Francisco a Legenda Maior, mandando queimar as outras.
1296 A bula “Quasdam litteras”, do Papa Bonifácio VIII, põe fim às dificuldades de relacionamento, impondo aos Frades Menores que assumam a responsabilidade pelas Clarissas.
1850 30 de agosto - é descoberto o sarcófago com o corpo de Santa Clara.23 de setembro - abertura solene do sarcófago.
1872 30 de outubro - O corpo de Santa Clara é levado para a nova cripta da sua basílica e exposto aos fiéis.
1893 Descoberta do original da Regra de Santa Clara no meio de suas roupas.
1915 Descoberta das Cartas de Clara a Santa Inês de Praga, na biblioteca de Milão.
1920 Descoberta de uma cópia do Processo de Canonização de Santa Clara, na Biblioteca Landau, em Florença.
1958 14 de fevereiro - Papa Pio XII proclama Santa Clara padroeira da televisão.
1976 Descoberta do cântico “Audite Poverelle”, composto por São Francisco para Clara e suas Irmãs.
1982 12 de novembro - Papa João Paulo II canoniza Santa Inês de Praga.
1987 11 de abril - Depois de um adequado reconhecimento e de uma nova recomposição, o corpo de Santa Clara volta a seu lugar na basílica para ser venerado por seus fiéis.

HISTÓRIA DA VIDA E MARTÍRIO DE SÃO SEBASTIÃO

Ele teria chegado a Roma através de caravanas de migração lenta pelas costas do mar mediterrâneo, que na época era muito abundante de causa do mar mediterrâneo e o sahara e os dias não tão quente por causa da latitude em torno de 40°. De acordo com Actos apócrifos, atribuídos a Santo Ambrósio de Milão, Sebastião era um soldado que teria se alistado no exército romano por volta de283 d.C. com a única intenção de afirmar o coração dos cristãos, enfraquecido diante das torturas. Era querido dos imperadoresDiocleciano e Maximiano, que o queriam sempre próximo, ignorando tratar-se de um cristão e, por isso, o designaram capitão da sua guarda pessoal, a Guarda Pretoriana. Por volta de 286, a sua conduta branda para com os prisioneiros cristãos levou o imperador a julgá-lo sumariamente como traidor, tendo ordenado a sua execução por meio de flechas (que se tornaram símbolo constante na suaiconografia). Foi dado como morto e atirado no rio, porém, Sebastião não havia falecido. Encontrado e socorrido por Irene (Santa Irene), apresentou-se novamente diante de Diocleciano, que ordenou então que ele fosse espancado até a morte. Seu corpo foi jogado no esgoto público de Roma. Luciana (Santa Luciana, cujo dia é comemorado a 30 de Junho) resgatou seu corpo, limpou-o, e sepultou-o nas catacumbas.3 4

São Sebastião, porBotticelli.

Existem inconsistências no relato da vida de São Sebastião: o édito que autorizava a perseguição sistemática dos cristãos pelo Império foi publicado apenas em 303 (depois da Era Comum), pelo que a data tradicional do martírio de São Sebastião parece precoce. O simbolismo na História, como no caso de Jonas, Noé e também de São Sebastião, é visto, pelas lideranças cristãs atuais, como alegoria, mito, fragmento de estórias, uma construção histórica que atravessou séculos.

O bárbaro método de execução de São Sebastião fez dele um tema recorrente na arte medieval, surgindo geralmente representado como um jovem amarrado a uma estaca e perfurado por várias setas (flechas); três setas, uma em pala e duas em aspa, atadas por um fio, constituem o seu símbolo heráldico.

Tal como São Jorge, Sebastião foi um dos soldados romanos mártires e santos, cujo culto nasceu noséculo IV e que atingiu o seu auge na Baixa Idade Média, designadamente nos séculos XIV e XV, tanto na Igreja Católica como na Igreja Ortodoxa. Embora os seus martírios possam provocar algum ceticismo junto dos estudiosos atuais, certos detalhes são consistentes com atitudes de mártires cristãos seus contemporâneos.

Santo Expedito

Santo ExpeditoDia 19 de abril

História: Santo Expedito foi martirizado na Armênia, no século II. Ele era militar, foi decapitado no dia 19 de abril de 303, sob o imperador Dioclesiano, que subira ao trono de Roma em 284.

Levava uma vida devassa; mas um dia, tocado pela graça de Deus, vendo uma grande luz, tudo mudou em sua vida. Foi então que lhe apareceu o Espírito do mal, em forma de corvo, e lhe segredou “cras….! cras….! cras….!” palavra latina que quer dizer: “Amanhã…! amanhã…! amanhã…!, isto é – Deixe para amanhã! Não tenha pressa! Adie sua conversão!”.

Mas Santo Expedito, pisoteando o corvo, esmagou-o, gritando: HODIE! Quer dizer: HOJE! Nada de protelações! É pra já!” É por isto que o Santo Expedito é invocado nos casos que exige solução imediata, nos negócios em que qualquer demora poderia causar prejuízo. No Brasil, sobretudo, Santo

Expedito é invocado nos negócios, o santo da “ultima hora”, num sim, sem adiamentos.Origem histórica: Mártir de Metilene, é pouco conhecido dos historiadores, mas sua existência é certa. Santo Expedito, segundo a tradição, era armênio, não se conhecendo o lugar de seu nascimento, mas parece provável que seja Metilene, localidade onde sofreu seu martírio. A Armênia é uma região da Ásia Ocidental, situada ao Sul do Cálcaso, entre o Mar Negro e o Mar Cáspio, nas margens dos Rios Tigre e Eufrates.

Essa região foi sempre considerada uma terra de predileção. Aliás, pelo testemunho da Sagrada Escritura, foi sobre as montanhas armênias do Ararat que a Arca de Noé pousou quando as águas do dilúvio baixaram (Gênesis, 8.5). A Armênia foi uma das primeiras regiões a receber a pregação dos apóstolos Judas Tadeu, Simão e Bartolomeu, mas também local de inúmeras perseguições aos cristãos. Essa região foi regada com o sangue de muitos mártires, entre eles Santo Expedito. Sua cidade natal (com toda probabilidade) não passa hoje de uma pequena localidade chamada Melatia, cidade construída no século II pelo imperador romano Trajano.

A partir de Marco Antonio, tornou-se residência da 12ª Legião, conhecida como “Fulminante”, cuja missão era defender o império romano dos bárbaros asiáticos. Hoje Metilene é uma cidade mística e simples, onde sua população vive em calma, longe das agitações políticas. Além de Santo Expedito, que foi levado à morte a 19 de Abril de 303, sob o poder de Deocleciano, lá veneram-se outros Santos mártires, entre eles: São Polieucto, outro oficial do exército romano que foi martirizado no século III.

Deocleciano subiu ao trono de Roma em 284. Por seu ambiente e por seu caráter, parecia oferecer aos cristãos garantias de benevolência, pois havia em seu palácio a liberdade de religião, sendo, inclusive, sua esposa Prisca e sua filha Valéria, cristãs, ou ao menos, catecúmenas. Sob influências de Galero, seu genro, pagão convicto, determinou a perseguição dos cristãos, ordenando a destruição de igrejas e livros sagrados, a cessação das assembléias cristãs e a abjuração de todos os cristãos.

Galero, sempre incitado por sua mãe, também pagã, queria abolir para sempre o Cristianismo e através de insinuações maldosas e hábeis calúnias, fez crer a Deocleciano, que o cristianismo conspirava de várias formas contra a augusta pessoa do imperador. Deocleciano, então, empreendeu a exterminação sistemática dos cristãos, envolvendo, inclusive, os membros de sua própria família e os servidores de seu palácio. Foi uma hecatombe sangrenta: oficiais, magistrados, o bispo da Nicomédia (Antino), padres, diáconos, simples fiéis foram assassinados ou afogados em massa. Somente em 324, com a retomada da autoridade do imperador cristão Constantino, foi que tiveram fim as terríveis perseguições que durante três séculos tinham ensangüentado a Igreja.

Para fazer a novena de Santo Expedito é necessário orar durante nove dias seguidos, sozinho ou em grupo. Deve-se rezar um credo, depois a oração a Santo Expedito, sem esquecer de pedir a benção desejada. Em seguida, um Pai Nosso e ascender uma vela. Para finalizar diga: “Gloria ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, agora e sempre pelos séculos Amém”. Durante os nove dias peça perdão a Deus por seus pecados e mantenha bons pensamentos. Depois resta apenas ter fé e esperar pela graça.

Oração do Santo Expedito: Meu Santo Expedito, das causas justas e urgentes, interceda por mim junto ao Nosso Senhor Jesus Cristo. Socorra-me nesta hora de aflição e desespero, meu Santo Expedito, Vós que sois um Santo guerreiro, Vós que sois o Santo dos aflitos, Vós que sois o Santos dos desesperados, Vós que sois o Santo das causas Urgentes, proteja-me; ajudam-me; dai-me forças, coragem e serenidade. Atendei ao meu pedido (faça o seu pedido) Meu Santo Expedito! Ajuda-me a superar estas horas difíceis, proteja-me de todos que possam me prejudicar. Proteja minha família, atenda ao meu pedido com urgência, devolvendo-me a paz e a tranqüilidade, ó meu Santo Expedito, vos serei grato pelo resto de minha Vida e levarei seu nome a todos que têm fé.

Devoção:  À palavra do Evangelho pregada e vivida

Padroeiro: Das causas urgentes

HISTÓRIA DE SÃO JUDAS TADEU

 Saint Jude Thaddaeus

HISTÓRIA DE SÃO JUDAS TADEU

Sua ligação com Jesus

São Judas Tadeu, nascido em Caná de Galiléia, na Palestina, era filho de Alfeu (ou Cleofas) e Maria Cleofas. O pai, Alfeu, era irmão de São José e a mãe, prima-irmã de Maria Santíssima. Portanto, Judas Tadeu era primo-irmão de Jesus, tanto pela parte do pai como da mãe.

Um de seus irmãos, Tiago, também foi chamado por Jesus para ser apóstolo. Era chamado de Tiago Menor para diferenciar do outro apóstolo Tiago que, por ser mais velho que o primeiro, era chamado de Maior.

Judas Tadeu tinha quatro irmãos: Tiago, José, Simão e Maria Salomé. O relacionamento da família de Judas Tadeu com o próprio Jesus Cristo, pelo que se consegue perceber na Bíblia é o seguinte: Alfeu (Cleofas) era um dos discípulos a quem Jesus apareceu no caminho de Emaús, no dia da ressurreição. Maria Cleofas, uma das piedosas mulheres que tinham seguido a Jesus desde a Galiléia e permaneceram ao pé da cruz, no Calvário, junto com Maria Santíssima .

Dos irmãos dele, Tiago foi um dos doze apóstolos, que se tomou o primeiro bispo de Jerusalém. José, apenas conhecido como o Justo. Simão foi o segundo bispo de Jerusalém, após Tiago. E Maria Salomé, a única irmã, foi mãe dos apóstolos Tiago Maior e João evangelista.

É de se supor que houve muita convivência de Judas Tadeu com o primo e os tios. Essa fraterna convivência, além do parentesco, pode ter levado são Marcos a citar Judas e os irmãos como irmãos de Jesus (Mc 6,3).

 

Citações na Bíblia

A Bíblia trata pouco de Judas Tadeu. Mas, aponta o importante: Judas Tadeu foi escolhido a dedo, por Jesus, para apóstolo. Quando os evangelhos nomeiam os doze escolhidos, consta sempre Judas ou Tadeu entre a relação. O livro dos Atos dos Apóstolos também se refere a ele (At 1,13). Além dessas vezes em que Judas Tadeu aparece entre os colegas do colégio apostólico, apenas uma vez é citado especialmente nas Escrituras. Foi no episódio da santa Ceia, na quinta-feira santa, narrado por seu sobrinho João evangelista (Jo 14,22). Nesta oportunidade, quando Jesus confidenciava aos apóstolos as maravilhas do amor do Pai e lhes garantia especial manifestação de si próprio, Judas Tadeu não se conteve e perguntou: “Mestre, por que razão hás de manifestar-te só a nós e não ao mundo?” Jesus lhe respondeu afirmando que teriam manifestação dele todos os que guardassem sua palavra e permaneces- sem fiéis a seu amor. Sem dúvida, nesse fato, Judas Tadeu demonstra sua generosa compaixão por todos os homens, para que se salvem todos. A fidelidade, coragem e perseverança dos Doze Grandes Homens do Evangelho, contribuíram para que o nome de Jesus viesse ser o mais admirado, citado e respeitado dos nomes.

 

A vida de São Judas Tadeu

Depois que os Apóstolos receberam o Espírito Santo, no Cenáculo em Jerusalém, iniciaram a construção da Igreja de DEUS, com a evangelização dos povos. São Judas iniciou sua pregação na Galiléia. Depois viajou para a Samaria e outras populações judaicas. Tomou parte no primeiro Concílio de Jerusalém, realizado no Ano 50. A seguir, foi evangelizar a Síria, Armênia e Mesopotâmia (atual Pérsia), onde ganhou a companhia de outro apóstolo, Simão, o “zelote”, que evangelizava o Egito.

A pregação e o testemunho de São Judas Tadeu, foi realizado de modo enérgico e vigoroso, que atraiu e cativou os pagãos e povos de outras religiões que se converteram ao cristianismo. Ele mostrou que sua adesão a CRISTO era completa e incondicional, testemunhando sua fé com doação da própria vida.

São Jerônimo nos assegura que o Apóstolo pregou e evangelizou Edessa, bem como em toda Mesopotâmia (Pérsia).

No ano 70, foi martirizado de modo cruel, violento e desumano; morrendo a golpes de machado, desferidos por sacerdotes pagãos, por se recusar a prestar culto à deusa Diana.

Devido ao seu martírio, São Judas Tadeu é representado em suas imagens/estátuas segurando um livro, simbolizando a palavra que anunciou, e uma machadinha, o instrumento de seu martírio.

Suas relíquias atualmente são veneradas na Basílica de São Pedro, em Roma. Sua festa litúrgica celebra-se, todos os anos, na provável data de sua morte: 28 de outubro de 70.

 

Curiosidades acerca de São Judas Tadeu

  • Santa Gertrudes e São Bernardo de Claraval entre muitos outros Santos, também foram fervorosos cultivadores do culto a SÃO JUDAS TADEU. Santa Gertrudes escrevendo sua biografia, conta que JESUS lhe apareceu aconselhando invocar São Judas Tadeu, até nos “casos mais desesperados”. A partir de então, cresceu a fé do povo na especial intercessão do Santo, principalmente nos “casos impossíveis”.
    • Certa vez, Santa Brígida estava orando, quando teve uma visão de Jesus. Este lhe disse:

Invocai com grande confiança ao meu apóstolo Judas Tadeu. prometo socorrer a todos quantos por seu intermedio a mim recorrerem.

  • Conforme conta o historiador Eusébio, Judas Tadeu teria sido o esposo nas núpcias de Caná (bodas de Caná), isso explicaria a presença de Maria e de Jesus.
  • Devido à notoriedade de Tiago na Igreja primitiva, Judas Tadeu era sempre lembrado como o irmão de Tiago
  • No texto grego São JUDAS é chamado LEBEU que significa: “LEB” – CORDATO, BONDOSO, OU CORAJOSO. TADEU porém, vem da palavra siríaca “THAD” que quer dizer: MISERICORDIOSO, BENIGNO.
  • nome de São JUDAS foi muitas vezes substituído pelo de TADEU, por causa do nome de Judas Iscariotes, o traidor. Os próprios Evangelistas como São João, ao se referirem a São JUDAS TADEU, Apóstolo, diziam: JUDAS, não o Iscariotes ou o traidor.
  • Apóstolo cujo nome lembra o “traidor” de JESUS, Judas Iscariotes, teve sua devoção esquecida durante muitos séculos. Mas a Providência Divina se manifestou no momento oportuno, para exaltar as suas qualidades e notável humildade, transformando-o no querido e poderoso Santo intercessor das “causas impossíveis”, que consegue junto ao CRIADOR as graças necessárias, em benefício de todos aqueles que buscam e procuram o seu inestimável auxílio.

 

São Judas, irmão do Senhor

  • O Santo Apóstolo Judas foi um dos doze apóstolos do Senhor, e sua origem é a tribo de Judá, de onde descende também David e Salomão. São Judas nasceu em Nazaré, Galileia, filho de José, o Justo, a quem a Puríssima Virgem Maria desposou. Segundo a tradição, a mãe de Judas foi Salomé, filha de Hagai. Este, por sua vez, era filho de Baraquiá, irmão de São Zacarias, o pai do precursor do Senhor, o Profeta São João Batista. Judas era irmão do apóstolo São Tiago, o Justo, o primeiro hierarca da Igreja de Jerusalém. O Santo Apóstolo era mais conhecido como «Judas de Tiago», ou seja, o irmão do apóstolo Tiago. Ele, em sua grande humildade, preferia este sobrenome, pois se considerava indigno de ser chamado irmão do Senhor, segundo a carne, porque julgava-se pecador diante de Deus por sua falta de fé e de amor fraterno.
  • O Santo Evangelista João, o Teólogo, atesta este pecado de Judas, a sua falta de fé, quando escreve: «Nem seus irmãos creram nele» (Jo 7,5). Explicando esta passagem do Evangelho, São Teofilacto interpreta que os irmãos aqui mencionados eram os filhos de José. E assinala: «Nem mesmo os seus irmãos, os filhos de José (entre os quais, Judas) creram nele – isto é, em Jesus. E, de onde vem esta incredulidade? Da tola falta de vontade e da inveja, porque é mais comum nas pessoas sentirem inveja de seus próprios parentes que de estranhos». Fica, portanto, claro, que Judas pecou contra o Senhor por causa da sua pouca fé.
  • Do mesmo modo, Judas mostrou a sua falta de amor fraterno para com Jesus quando José, no seu regresso do Egipto, decidiu dividir suas terras entre os filhos nascidos de sua primeira esposa. Queria também dar uma parte para Jesus, que era ainda apenas um menino, nascido de maneira sobrenatural da Puríssima Virgem Maria. Porém, os três filhos de José não admitiram compartilhar com Cristo, já que havia nascido de outra mãe; somente São Tiago, o quarto filho, concordou que Jesus fosse seu co-proprietário da parte que lhe coube, pelo que, mais tarde, foi chamado de «Irmão de Jesus». Consciente dos seus pecados anteriores, pela sua falta de fé e de amor fraterno, Judas não se atreveu a chamar-se o «irmão de Cristo», mas somente «irmão de Tiago», como escreve em sua epístola: «Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago». (Jd 1,1)
  • Além de ser chamado «Apóstolo irmão de Tiago», Judas tinha ainda outros títulos. O evangelista Mateus o chamava Lebeu e Tadeu. Estes nomes foram-lhe atribuídos com razão, pois, Lebeu significa «fervoroso». No apóstolo Judas, este título significaria que, após ter cometido pecados contra o Cristo Deus por sua incredulidade, mais tarde veio a crer em Jesus como o verdadeiro Messias, e se uniu a ele de todo o seu coração. O Apóstolo Judas era também chamado «Tadeu», que significa «aquele que presta louvor», porque ele glorificou e confessou a Cristo Deus, proclamando o seu Evangelho a muitas nações.
  • Muito pouco se sabe sobre a vida e as atividades do Santo Apóstolo Judas, além do fato de que ele se casou com uma mulher chamada Miriam. Tudo o que se sabe, além disso, é que durante o reinado de Domeciano (81-96 d.C.), dois netos de Judas, que trabalhavam a terra com suas próprias mãos, foram levados pelo mesmo Imperador, por calúnias feitas por hereges, dado que eram descendentes de Davi e parentes do Senhor. Mas, depois que o Imperador teve a certeza de que não significariam qualquer risco político para ele, foram postos em liberdade.
  • Tal como os outros «irmãos do Senhor, o apóstolo Judas empreendeu muitas missões, levando e difundindo o evangelho de Cristo. Pouco depois da ascensão aos céus do Senhor Jesus Cristo, o apóstolo Judas, tal como fizeram todos os demais apóstolos de Cristo, saiu em viagens missionárias para levar o Evangelho de Cristo. O testemunho do historiador eclesiástico Nicéforo, assinala: «O divino Judas, que tinha o duplo título de Tadeu e Lebeu, filho de José e irmão de Tiago (que foi jogado do pináculo do templo de Jerusalém), pregou o Evangelho e propagou o Cristianismo, em primeiro lugar na Judeia, Galileia, Samaria, Idumea e, em seguida, na Arábia, Síria e na Mesopotâmia. Finalmente, ele chegou à cidade de Edessa, que pertencia ao rei Abgar, onde o Evangelho já havia sido anunciado por outro Tadeu, um dos setenta Apóstolos. Lá, o apóstolo Judas empreendeu e concluiu o que o outro Tadeu não tinha terminado”.
  • Existem algumas indicações que permitem presumir que o Santo Apóstolo Judas tenha pregado o Cristianismo também na Pérsia, onde escreveu sua epístola universal em língua grega. A ocasião ou razão para que tenha escrito esta epístola, não se sabe. Tais fatos foram ocultados por essa gente ímpia, entre a comunidade dos crentes que, convertendo a graça de Deus numa oportunidade para praticar o mal e pecar, e, sob o pretexto e disfarce da liberdade religiosa, permitiram-se cometer todo o tipo de ações abomináveis. Esta curta epístola contém muitos pensamentos profundos e muita doutrina edificante. Em parte, trata de ensinamentos dogmáticos: o mistério da Santíssima Trindade, a encarnação do Filho de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, a diferença entre bons e maus anjos, e o terrível Juízo que está por vir; de outra parte, trata de ensinamentos morais: a exortação a evitar a impureza do pecado – a injúria carnal, blasfêmia, orgulho, desobediência, inveja, ódio, rancor e traição. O Apóstolo aconselha a todos a permanecer fiéis em seus deveres, a sua fé, oração e amor; recomenda que nos preocupemos em corrigir os errantes e de evitar os hereges, cuja moral, espiritualmente daninha, descreve ele claramente, explicando que os hereges morrerão como o povo de Sodoma (Jd 1,7 ss).
  • Além disso, o Apóstolo São Judas afirma em sua epístola que, para a nossa salvação, não é suficiente a conversão do paganismo ao cristianismo, mas que, além da fé, é preciso realizar as obras apropriadas aos cristãos e dignas de salvação; cita então, como exemplo, os anjos e homens que foram punidos por Deus: aos anjos que não conservaram a sua dignidade, Deus lhes prendeu com eternas correntes, submetendo-os à escuridão eterna até ao dia do terrível Juízo (Jd 1,16). Deus também, depois de ter retirado a salvo o seu povo do Egipto, fez perecer aos incrédulos, que o negaram e caíram em depravação, não vivendo de acordo com a lei de Deus (Jd 1,5), Em suma, o apóstolo Judas revela, com poucas palavras, grandes verdades em sua epístola.
  • O Santo Apóstolo Judas visitou ainda muitas outras terras, pregando o Evangelho, convertendo os povos à fé cristã e guiando-os pelo caminho da salvação. Assim fazendo, chegou às terras situadas no entorno do Monte Ararat, onde converteu muita gente da idolatria ao cristianismo. Despertou, portanto, o mal-estar dos sacerdotes pagãos contra ele. Estes agarraram-no e, depois de submetê-lo a numerosas torturas, suspenderam-no numa cruz atravessando em seu corpo lanças. Assim terminou a luta e a vida do Santo Apóstolo Judas, que partiu para junto de Cristo Deus para receber dele a coroa da eterna recompensa no céu.

A História da Santa Terezinha do Menino Jesus

 

Santa Terezinha com 13 anosDesde muito cedo Teresa Martin iniciou sua devoção ao Menino Jesus. Aos seis anos e meio,  começa a se preparar para a primeira comunhão, sendo catequizada por sua irmã Paulina. Graças a esta catequese, o amor ao Menino Jesus vai aumentando em seu coração.  Ao falar deste período, nossa santa afirma que “amava-o muito” (A 31v). Não é, pois, de se estranhar que à época de seu primeiro chamado à vida carmelitana, tenha aceitado com entusiasmo a proposta de Madre Gonzaga de se chamar “Teresa do Menino Jesus” quando ingressasse no Carmelo. Após prepará-la para a primeira comunhão, Paulina, já Irmã Inês de Jesus no Carmelo de Lisieux, convida a menina a considerar sua alma como um jardim de delícias no qual é preciso cultivar as flores de virtudes que Jesus virá colher em sua primeira visita.  

 

 

No ano de 1887 se oferece ao Menino Jesus para ser seu brinquedo (A 64r), desejando abandonar-se sem reservas à sua misericórdia. Isto ocorre por ocasião da célebre audiência com o papa Leão XIII. Teresa esperava que o papa autorizasse sua entrada imediata no Carmelo, apesar da pouca idade. Enorme decepção! Recebe palavras ternas e não a resposta desejada. Por isso não fica perturbada. Não havia se oferecido para ser a “bolinha” de Jesus e não dissera que ele poderia fazer o que quisesse com ela?

 

Santa TerezinhaA partir do dia 9 de abril de 1888, data de seu ingresso no Carmelo de Lisieux, Teresa pode, finalmente, realizar seu sonho de menina: assina suas cartas durante todo o postulantado como “Teresa do Menino Jesus” (Ct 46-79). No dia 10 de janeiro de 1889, dia em que recebe o hábito, assinará pela primeira vez “Irmã Teresa do Menino Jesus e da Santa Face”, que será seu nome definitivo de Carmelita (Ct 80). Quando entra na clausura, a primeira coisa que lhe chama a atenção é o sorriso de seu “Menino cor de rosa” (A 72v), que a acolhe. Ela se encarregará de colocar-lhe flores desde a Natividade de Maria: “era a Virgenzinha recém-nascida que apresentava sua florzinha ao Menino Jesus”. (A 77r).

 

Teresa dedica muitas poesias, recreações piedosas e orações ao Menino Jesus, ao mistério do Natal e aos primeiros anos da infância de Cristo. No dia 21 de janeiro de 1894 cria e oferece à Madre Inês, em sua primeira festa como priora, uma pintura a óleo do Menino Jesus, a que intitula como “O sonho do Menino Jesus”. Este quadro mostra o Menino Jesus de olhos abaixados, brincando com as flores que lhe são oferecidas. Ao fundo aparece sob a claridade da lua a Sagrada Face debaixo da cruz e cerca dos instrumentos da paixão. Em uma carta enviada no mesmo dia (Ct 156), Teresa comenta seu quadro: longe de temer os sofrimentos futuros, o Menino Jesus conserva um olhar sereno e até sorri, pois sabe que sua esposa (Irmã Inês) permanecerá sempre ao seu lado para amá-lo e consolá-lo. Quanto aos olhos baixos, estes mostram sua atitude quanto à própria Teresa: “Ele está quase sempre dormindo”. Neste último detalhe já vislumbramos uma prefiguração da grande prova de fé que irá acompanhá-la em seus últimos dias.

 

Nos finais de 1894, a jovem carmelita descobre sua “Pequena Via”. A infância espiritual do cristão, feita de confiança e abandono, deverá se moldar na própria infância de Jesus, em seu caráter  de Filho, tão particularmente representado nos traços de sua infância. No dia 7 de junho de 1897, Teresa se deixa fotografar, tendo nas mãos as estampas do Menino Jesus e da Sagrada Face. Sobre a imagem do Menino Jesus, conhecido como “de Messina”, Teresa copia o versículo de Pr 9,4: “Quem for pequenino, venha a mim”.