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Igrejas

Basílica Nossa Senhora da Dores – Juazeiro do Norte – CE

PEQUENA HISTÓRIA DA BASÍLICA

 

Renato Casimiro (especial para o Jornal do Cariri, 22.04.2008)

 

O primeiro templo católico da vila do Joaseiro foi a Capela de Nossa Senhora das Dores, cuja pedra fundamental foi assentada em 15.09.1827. Os senhores donos das terras do antigo Tabuleiro Grande, brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, e sua mulher Rosa Josefa do Sacramento, entregaram-na para zelo e serviços, ao seu neto, o Pe. Pedro Ribeiro da Silva, como primeiro capelão. A este seriam sucessores: Pe. Luiz Barbosa, Pe. Antonio de Almeida, Pe. Joaquim Coelho e Pe. Pedro Ferreira de Melo. Pe. Cícero Romão Baptista foi o sexto capelão provisionado, a partir de 11.04.1872. Já em 1873, Pe. Cícero percebeu que a capelinha era muito pequena e inadequada para a vila. Decidiu, então, começar a construção de uma outra, muito maior, sob a mesma invocação de Nossa Senhora das Dores, nas proximidades, em local privilegiado da villa, então com umas 32 casas. Esta primeira igreja começou a ser construída em 1875. Os rigores da seca de 77 interromperam as obras que, somente parcialmente, foram conclusas em 1884. Naquele 19 de agosto, o então bispo do Ceará, D. Joaquim José Vieira, em visita pastoral ao Cariri, foi pessoalmente sagrar o altar. Até 1905 ainda restariam obras finais com a conclusão da segunda torre. Pe. Cícero continuou o seu trabalho de missionário até 1892, quando então foi suspenso de ordens, motivado pelas censuras impostas pela Sagrada Congregação do Santo Ofício, por seu envolvimento com a chamada Questão Religiosa de Joaseiro. Daí por diante, a igreja de Joaseiro passou a ser cuidada pelos párocos de Crato, até que, em 21 de janeiro de 1917, o primeiro bispo da Diocese, D. Quintino, criou a freguesia de Joaseiro, nomeando seu primeiro vigário, Pe. Pedro Esmeraldo. Por volta de 1920, começaram a ser notados os sinais de desmoronamento de uma das duas torres da igreja. Com muita dificuldade, o que causou a substituição do vigário Pe. Esmeraldo por Pe. Macedo, a fisionomia da igreja foi profundamente alterada para o que hoje é sua imagem, numa reforma que Pe. Macedinho realizou em 1923. No paroquiato de Mons. Lima empreenderam-se novas transformações internas na igreja, concluindo-as entre 1928 e 1932. Já no longo período de Pe. Murilo de Sá Barreto, uma quase tragédia acontecia em 3 de outubro de 1974. Uma das velhas colunas da obra realizada pelo Pe. Cícero não resistiu ao tempo e boa parte do teto da igreja ruiu, sem vítimas a lamentar. Na celebração do centenário da igreja, em 15.09.1975 foi feita a festiva comemoração e inauguração desta reforma. Ainda sob o paroquiato de Mons. Murilo, outras reformas foram realizadas, como a elevação do plano do altar, a restauração do altar-mor à sua configuração primitiva, a Capela do Encontro, o altar externo, uma réplica da capelinha de 1827, centro de informações aos romeiros, além de ampla reforma da infra-estrutura e permanente atualização de suas instalações. Foi em meio a um clima contagiante de participação popular, envolvidos nas pastorais de romaria, do dízimo, familiar, do idoso, da infância missionária, do batismo, da catequese e da realização das santas missões populares que a igreja chegou e vive a sua designação de Santuário. Na sua carta Pastoral de 02.02.2003, Romarias e Reconciliação, ao comunicar a elevação da Paróquia-Matriz à condição de Santuário Diocesano, D. Fernando Panico assim se referiu: “A Igreja Matriz da Mãe das Dores, em Juazeiro do Norte, lugar de veneranda celebração de todos os romeiros e romeiras do Nordeste, é agora elevada à dignidade de Santuário Diocesano. Acalentava também a esperança de comunicar solenemente nestes dias, Festa de Nossa Senhora das Candeias, o decreto pontifício da concessão do título de Basílica Menor à Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores, por mim já solicitado à Santa Sé em novembro passado. Infelizmente, tal decreto ainda não chegou de Roma.” Talvez por isto, e a propósito de matéria veiculada na edição de 01.04 deste jornal, o pré-anúncio feito por D. Fernando, de que revelaria nesta data “o maior fato histórico deste século para todo o Cariri”, a elevação do Santuário Diocesano tenha merecido esta ampla especulação, até que viessem surgir as primeiras informações tornadas públicas pela administração do Santuário Diocesano de Juazeiro do Norte. Como vimos, a crônica da cidade nos indica, com grande precisão, que este caminho teve um longo curso, de uns 181 anos. Chegamos hoje a esta consagração que demonstra, a todos nós, e em especial à Cúria Romana, o grande merecimento da fé e da religiosidade do romeiro destes sertões. A capelinha dos tempos do Pe. Cícero Romão Batista ergue-se, hoje, imponente em nossos corações, transmutada por esta dignidade de Basílica Menor, que não deve ser vista apenas como ato generoso, ou formal, da hierarquia. Ela é, antes disto, uma conquista deste povo, fiel a uma devoção à nossa Mãe das Dores, o pleno socorro espiritual de sua gente. Juazeiro é Basílica Menor, designação com a qual poderá passar a se chamar, daqui por diante, de Basílica Menor do Santuário Diocesano de Nossa Senhora das Dores. No Brasil existem, atualmente, 50 Basílicas Menores. A primeira foi consagrada, há 100 anos, a Nossa Senhora Aparecida (Padroeira do Brasil), e está em Aparecida (SP). A última foi a Basílica Menor do Santuário do Divino Pai Eterno, em Trindade (GO), em 18.11.2006. No Estado do Ceará, Juazeiro do Norte será a segunda concessão pontifícia. Anteriormente foi elevado o Santuário de São Francisco das Chagas (Canindé).  É esta a primeira oportunidade em que uma Basílica no Brasil será dedicada  em honra de Nossa Senhora das Dores. Provavelmente, na data de 15 de setembro de 2008, por ser tão marcante no calendário litúrgico da paróquia-matriz, será este o dia da consagração. Ao Juazeiro, neste instante, novas e curiosas atenções estarão voltadas, pois não se pode deixar de lembrar que esta concessão é parte de uma longa caminhada deste povo. Não só na objetividade de questões muito práticas, formuladas para uma pauta de relacionamento com a Sé de Roma, como a iniciativa de reabilitação, com a reabertura dos arquivos e de um processo instaurado a partir do século 19, e que vivem necessitando de atenções para as freqüentes, por vezes oportunas, ou inoportunas, insinuações de processos de beatificação ou canonização de Pe. Cícero Romão Batista. Mas, antes de qualquer sentimento mais imediato, a elevação do Santuário à condição de Basílica Menor é uma grande oportunidade para uma maior aproximação da Igreja com a grande nação romeira. Como o aparecimento das Basílicas evocou o fim das terríveis perseguições movidas contra os cristãos, não é menos verdadeiro que esta nova, à sombra de generosos Joaseiros seja também o refúgio e a fortaleza, centro de encontro e de comunhão fraterna entre os que acreditam na expansão e na grandeza do Reino.   

Pároco Padre Joaquim Freitas(foto abaixo) ao lado do Frei Nunes e seu Afilhado Elpídio Araújo dono deste site.

Missa em Homenagem aos 170 anos do Padre Cicero Romão Batista (2014)

 

Historia da Igreja da Madre de Deus Recife-PE

       Os oratorianos em Pernambuco

A data do desembarque de padre português João Duarte do Sacramento em Pernambuco não é conhecida com exatidão tendo ocorrido por volta de 1660. O fundador da Ordem dos Oratorianos veio acompanhado por um confrade, o padre João Victoria. Seu objetivo era estabelecer missões para catequizar os índios no interior de Pernambuco e do Rio Grande do Norte. É possível também que tenha alcançado o Ceará. Sabe-se, com certeza, que as sedes de varias missões deram origem a algumas cidades nordestinas. Na década de 1670, com a permissão de Roma, foi criada a congregação do Oratório de São Felipe Neri de Pernambuco, com sede em Olinda.

Mais adiante, os oratorianos se estabeleceram também em recife, construindo a primeira igreja da Madre de Deus e um convento, ambos de taipa. Por volta de 1685, um surto de febre amarela irrompeu no Recife. Os oratorianos fizeram o possível para socorrer a população. Atendiam os doentes e enterravam os mortos, mas também foram gravemente atingidos pela epidemia. O próprio padre Sacramento morreria um ano depois, vitimado pela doença.

Em 1706 foi lançada a pedra fundamental da atual Madre de Deus, e, em 1710, os oratorianos se colocaram ao lado dos portugueses que moravam no Recife, durante a chamada Guerra dos Mascates. A essa altura , sua influencia junto à população recifense, conquistada durante a crise provocada pela febre amarela, aumentou de forma substancial.

O seminário erguido no século 17, foi ampliado a partir de 1754. Ali os oratorianos se dedicaram ao ensino de filosofia, teologia, artes e humanidades, formando padres e leigos. Para isso dispunham de 4 mil livros em sua biblioteca – um acervo impressionante para a época. Aos poucos as missões interioranas se esvaziaram, e as atividades dos oratorianos concentraram-se no Recife, onde acumulavam grande quantidade de imóveis, muitos doados pela população. “Nas áreas onde havia estabelecido as missões, a Ordem era dona de fazendas de criação de gado. Aos poucos, os padres se desfizeram dessas propriedades e aumentaram seu patrimônio imobiliário em Recife, passando de fazendeiros a rentistas, pois Vivian dos alugueis”, informa historiador Fernando Ponce de Leon, da fundação Joaquim Nabuco.

Os oratorianos, sempre influentes na política local, participaram da Revolução de 1817 – movimento pela independência do Brasil – e da confederação do Equador em 1824, contra o governo do império. Terminariam extintos por decreto de D. Pedro I, em 1830. Seus bens, incorporados à fazenda imperial, constituíram patrimônio destinado a obras sociais. Esvaziando de padres, o convento acabou transformado em alfândega, e a igreja da Madre de Deus ficou sob administração de irmandades religiosas.

Ao deixar de ser alfândega, o prédio do convento foi entregue à santa casa de misericórdia do Recife. Mal conservada e quase abandonada, a construção passou a ser durante algum tempo como deposito de açúcar pela industria canavieira até que, finalmente, virasse estacionamento. Em 2001 o ministério da cultura, por meio do programa monumenta, em cooperação com a iniciativa privada, apoiou a recuperação do edifico, agora transformando em centro comercial. Por sua vez, a Madre de Deus, tomada em 1938 pelo IPHAN, hoje pertence à Cúria Metropolitana do Recife. O templo é depositário de importante coleção de arte sacra, formada por obras trazidas de outras igrejas da capital pernambucana demolidas no passado. Dentre elas, a famosa imagem do Senhor Bom Jesus dos Passos, que pertencera a Irmandade do Senhor dos Passos do Corpo Santo.

Procissão do Senhor Bom Jesus dos Passos do Recife

Antiga Procissão

A mais tradicionais manifestações religiosas de recife são as procissões do Encerro e dos Passos da Paixão de Cristo, realizadas durante a quaresma. As cerimônias, promovidas pela Irmandade dos Passos, que se reúne na igreja da Madre de Deus, tem raízes fundas na historia antiga de Pernambuco. As primeiras ocorreram em 1654, em comemoração à expulsão dos holandeses, que havia ocupado a capitania desde 1630. A propia “Veneravel Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos do Corpo Santo” foi fundada pelos comandantes brasileiros e portugueses vitoriosos na contenda: Francis Barreto de Menezes, Andre Vidal de Negreiros, Antonio Dias Cardoso e João Fernandes Vieira.

Durante muitos anos, a procissão dos Passos principiou na Igreja do Corpo Santo, templo que seria demolido no começo do século 20 para dar lugar a uma ampliação do porto do Recife. Com isso, a Irmandade transferiu-se para a Madre de Deus, é de La que parte a procissão de encerro na quinta-feira 2 semanas antes da semana santa, em direção ao convento do Carmo, conduzindo a imagem do Senhor dos Passos envolta um cortinado, chamado “Encerro”. 

Daí nome da “Procissão do Encerro”, “ O Encerro simboliza Cristo afastando-se do mundo para se preparar oara o martírio. Na tarde do dia seguinte, a procissão retorna à igreja de origem, parando sete vezes em locais onde estão erguidos os chamados ‘Passos da Paixão’, onde altares com Imagens Barrocas representam cenas do martírio de Jesus Cristo, do Horto das Oliveiras ao Calvário”.

Desde suas origens portuguesas, a Procissão dos Passos envolvida pela religiosidade popular, com grande dose de misticismo. Durante o percurso é comum a presença de penitentes.

Historia da Imagem Primitiva da Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos Recife.

Histórico da Imagem do Corpo Santo.

 

Numa noite de frio e chuva áspera, clareada de relâmpagos e Sonora de trovões, pleno fevereiro de inverno recifense, o frade leigo que estava como porteiro no Convento do Carmo ouviu bater repentinamente à porta. Abriu-a e deparou um velhinho encharcado, humilde, trêmulo, com uma voz extremamente doce e triste, suplicando agasalho por uma noite.O porteiro, zangado com o atrevimento, recusou hospedagem e mandou-o dormir na rua ou debaixo das pontes. E fechou o portão.O velhinho lá se foi, cambaleando, arrimado a um bordão, até a Igreja de São Pedro Gonçalves, onde bateu. O porteiro-sacristão atendeu. Novo pedido, com voz expirante.
O porteiro compadecido, fez o velho entrar, deu-lhe o que comer e com que se enxugar, e indicou um recanto na sacristia onde poderia agasalhar-se e dormer, em cima de um colchão. Pela madrugada, o sacristão foi acordar o velho, levando uma esmola de despedida.
Não o encontrou. Enchia o colchão uma maravilhosa imagem do Senhor Bom Jesus dos Passos, vestida de seda lilás, com resplendor de prata, tão rica, imponente e poderosa de semelhança divina, que o sacristão dobrou os joelhos, contrite.

Igreja de N. Srª do Desterro e convento de Santa Teresa – Olinda

 

Construída no século XVII, a Igreja de Nossa Senhora do Desterro é votiva, erguida depois da vitória alcançada contra os holandeses na Batalha dos Montes das Tabocas, em 1645, pelo mestre-de-campo, general João Fernandes Vieira. Com a chegada das Carmelitas Descalças a Pernambuco, foi iniciada a construção do Convento de Santa Tereza. A Igreja de Nossa Senhora do Desterro possui um belo conjunto arquitetônico apresentando os estilos Maneirista e Barroco. Na sua fachada, encontramos um singular nicho em pedra com a imagem de Santa Tereza de Jesus e um frontispício colonial com uma torre simples. Os altares ostentam requintadas talhas douradas, com preciosas imagens de santeiros pernambucanos, dos séculos XVI e XVII.

 

Igreja do Divino Espírito Santo, Recife, PE

 

A história da Igreja do Divino Espírito Santo se inicia em meados do século XV. Ao longo dos anos, teve duas denominações até se chamar como hoje a conhecemos. Antes de 1654, era a Igreja Calvinista dos Franceses; após 1654, Igreja de Nossa Senhora do Ó; e a partir de 1855, Igreja do Divino Espírito Santo. No período da dominação holandesa em Pernambuco (1630-1654), na localidade onde hoje existe o templo do Divino Espírito Santo, havia uma Igreja Calvinista dos Franceses que foi construída numa ação conjunta do Conde Maurício de Nassau com o Conselho dos XIX a pedido dos reverendos francesesLa Riviere e Auton.

Este Conselho fazia parte da administração da Companhia das Índias Ocidentais e era composto por dezenove diretores, representado por 18 conselheiros regionais e um representante dos Estados Gerais, que se reuniam em Amsterdã e Midelburg, alternativamente. Com o fim da invasão holandesa, na mesma área onde existiu a Igreja Calvinista dos Franceses, os padres da Companhia de Jesus, que anteriormente administravam o Colégio de Olinda, quase destruído pelos flamengos, solicitaram ao rei a instalação de um colégio no Recife. Por ordem régia de D. João VI a fundação do colégio é homologada para funcionar em local doado pelo mestre de campo Francisco Barreto que compreendia “duas moradas de caza [sic] de sobrado, fabricadas por Flamengos com suas lojas e da igreja dos franceses que os mesmos flamengos tinham feito por detraz daquellas cazas [sic]”.

 

O Colégio dos Jesuítas foi construído anexo à Igreja e funcionou até 1760, ano em que o Marquês do Pombal extinguiu a ordem dos jesuítas do território do Brasil. A segunda denominação, Igreja de Nossa Senhora do Ó, deveu-se a data em que o capitão Antonio Fernandes de Mattos lançou a pedra fundamental da Igreja, 18 de dezembro de 1886, dia dedicado àquela Santa. A inauguração foi em 17 de dezembro de 1690, sob a administração dos padres jesuítas. A construção da Igreja [...] teve início a partir da sacristia com as capelas e a nave central. Além da capela-mor, havia quatro laterais, duas no cruzeiro e duas no corpo da igreja, possuindo o templo 60 palmos de largura por 120 palmos de comprimento. A fachada da igreja dos jesuítas era diversa da de hoje, avançada em relação às torres, formando assim um pórtico, ou nártex, [...] (SILVA, 2002, p. …).

Com a expulsão dos jesuítas, a Igreja e o Colégio ficaram abandonados e sujeitos a muitos usos que não o religioso e o educacional. Têm-se notícias que naquelas dependências funcionou uma estrebaria onde os oficiais da guarda do Palácio do Governo acomodavam seus cavalos; uma [...] série incontável de repartições oficiais: Tribunal de Relação, Sala de Audiências; Repartição de Vacina; Faculdade de Direito; Correios; depósito do Arsenal de Guerra e até Teatro daSociedade Dramática Natalense, servindo de palco a própria capela-mor [...]; e, em 1816, o Colégio dos Jesuítas, depois de saqueado, serviu para nele guardarem, por algum tempo, um imenso elefante [...] (PIO, 1960, p. 24). Na gestão do presidente da província de Pernambuco, José Bento da Cunha e Figueiredo (1852-1856), a Irmandade do Divino Espírito Santo, ciente de que o presidente tinha interesse em restaurar a abandonada igreja do antigo Colégio dos Jesuítas a ele se dirigiu através de ofício para solicitar a entrega daquele templo à Irmandade. O pedido enumerava algumas condições, entre elas restaurar a Igreja com a invocação e título do Divino Espírito Santo. Em 10 de julho de 1855, José Bento despachou o ofício concordando com a solicitação desde que as instalações do segundo andar do Colégio, onde funcionara a cadeia, fossem reformadas para abrigar o Tribunal da Relação. A Irmandade concordou e, em 27 de julho de 1855, o presidente da província ordenou ao presidente da Comissão de Higiene Pública a entrega das chaves da Igreja do antigo Colégio à Irmandade do Divino Espírito Santo. Dessa forma, e realizados os consertos mais urgentes, em 8 de setembro de 1855 “transladou a Irmandade do Divino Espírito Santo da Igreja da Conceição dos Militares para a sua própria, o seu divino padroeiro, em solene procissão, conduzido o S.S. (Santíssimo) sob o palio e exposto no trono do Espírito Santo durante o Te Deum, ao recolher da procissão” (PIO, 1960, p. 33). As obras de restauração atravessaram vários anos. A Irmandade conseguiu suportar e vencer os imprevistos revezes para a conclusão das obras. E a Igreja, ao longo desses anos, presenciou e fez parte de muitos fatos dignos de registro que o Recife viveu: a visita do Imperador D. Pedro II (1859); a procissão de penitência durante a epidemia de peste (1860); a festa abolicionista, com celebração de missa, promovida pela Sociedade Patriótica Bahiana Dous de Julho, em 2 de julho de 1870; a recepção a Bispos; e a cerimônia fúnebre de Joaquim Nabuco, em 18 de abril de 1910.

Capela de Nossa Senhora da Conceição (JAQUEIRA), Recife,PE

Também chamada de Capelinha da Jaqueira, a capela de Nossa Senhora da Conceição fica situada próximo à Ponte D’Uchôa, no atual Parque da Jaqueira. Ela era a capela do solar de Bento José da Costa. E, como naquele terreno existiam muitas jaqueiras, o local ficou sendo chamado de Sítio das Jaqueiras. A capelinha, sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, remonta ao início do século XVIII, época em que o proprietário daquelas terras era o capitão Henrique Martins. Antes dele, o terreno pertencera ao antigo senhor do engenho da Torre, Antônio Borges Uchôa, o mesmo que construiu uma ponte sobre o rio Capibaribe, a chamada Ponte D’Uchôa, ligando o seu engenho àquelas terras.

Henrique Martins e a esposa eram grandes devotos da Virgem da Conceição. Há registros de que, em certa ocasião, ele foi acometido por uma crise de erisipela e recorreu à sua padroeira, para que lhe devolvesse a saúde. Tendo o capitão se restabelecido, ele e a esposa manifestaram gratidão depositando um ex-voto junto à milagrosa: uma gravura onde se vê Henrique Martins deitado, coberto por uma colcha de ramagens vermelhas e azuis, com a esposa e o médico à sua volta e, na cabeceira, uma visão da Virgem.

Além disso, no dia 8 de janeiro de 1766, o casal doou um terno (moenda de engenho de açúcar) avaliado em vinte mil réis, para que fosse levantada uma capelinha para a Virgem. Dessa maneira, como o local era chamado de Sítio das Jaqueiras, a capela ficou conhecida pela população como Capela da Jaqueira, nome que conserva até hoje. Em 1782, os bens do capitão Henrique – incluindo o Sítio das Jaqueiras -, foram leiloados, por causa do seu envolvimento em um processo de desfalque.

O Sítio foi arrematado por Domingos Afonso Ferreira, mas, no século XIX, já pertencia ao português Bento José da Costa, o homem mais abastado do Recife. Registra a história que Domingos Afonso Ferreira se apaixonou por Maria Teodora, filha de Bento José da Costa e que, a este comerciante, pediu a mão da filha em casamento. Domingos Afonso teve seu pedido negado, uma vez que, naquela época, a escolha do futuro genro dependia, tão-somente, da preferência do pai da pretendida. No entanto, após a revolução de 1817, Domingos Afonso Ferreira, como herói da revolução e vencedor, impôs a sua escolha e, em uma grande festa, casou-se com Maria Teodora na Capela da Jaqueira. Bento José da Costa, por sua vez, além de comerciante era, ainda, coronel de milícias e comandante de um corpo de guarnição do Recife.

Era muito amigo, inclusive, do último administrador português de Pernambuco: o capitão-general Luís do Rêgo Barreto. Juntamente com esse governador, como membro da Junta Constitucional Governativa, Bento compôs o Governo da Capitania em 1821. Os restos mortais do comerciante estão enterrados por baixo do altar-mor da Capela, onde, em grandes letras, pode-se ler: Aqui jaz o coronel BENTO JOSÉ DA COSTA Falecido em 10 de fevereiro de 1834 na edade de 75 anos a cuja memória dedicão este monumento sua saudoza esposa e seus onze filhos.

Os herdeiros de Bento José, sem o menor cuidado pela propriedade herdada, deixaram que as jaqueiras centenárias fossem derrubadas, e que o Sítio das Jaqueiras se transformasse em um campo de futebol. Quando este foi fechado, a terra foi loteada, e a Capela da Jaqueira permaneceu abandonada em meio a um grande matagal. Ela só não foi totalmente destruída, devido à intervenção, em 1944, do Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Na ocasião, o templo foi restaurado e construíram, em sua volta, um belo parque: o da Jaqueira. Sob a gestão do prefeito José do Rego Maciel, o famoso paisagista Roberto Burle-Marx projetou o ajardinamento da localidade. Vale registrar que, mesmo depois de tombada pelo IPHAN, a Capela foi saqueada em 1951 e vários de seus pertences foram roubados: dois armários em jacarandá trabalhado (da sacristia), e algumas portas e janelas. A Capela da Jaqueira é uma construção barroca.

O seu interior é decorado com azulejos raros, do mesmo estilo dos azulejos dos conventos carmelitas e franciscanos. Podem ser apreciados alguns notáveis painéis sacros, de traçados e cores fortes, que o tempo não conseguiu apagar. Os forros da capela-mor (evocando a Anunciação), do coro (focalizando o casal Nossa Senhora e São José) e da nave (a efígie da Padroeira) possuem pinturas significativas do final do século XVIII.

É possível observar, também, dois grandes retratos a óleo, sobre madeira, representando Santo Antônio e São Henrique, bem como São João Batista e São Filipe Nery. O altar do templo é barroco, embora apresente alguns motivos em estilo rococó.

Existe um manuscrito na capela-mor, datado de 13 de novembro de 1781, que contém a tradução de um Breve de Indulgência do Papa Pio VI. Na sacristia encontra-se uma relíquia: um lavatório de pedra, com uma torneira longa, feita em bronze, uma obra do século XVIII.

As imagens do templo – aquelas que escaparam ao furto e à depredação – estão guardadas na Igreja de São José do Manguinho. É importante salientar que as telhas da Capela, suas madeiras, fechaduras, aldrabas, ferrolhos, dobradiças, entre outros objetos que foram confeccionados em ferro e bronze, são originais de sua construção e datados de 1766. E que, até os anos 1960, o parque existente em volta da capela era todo iluminado por lampiões, pendurados em postes ingleses.

IGREJA DE NOSSA SENHORA DA BOA VIAGEM, Recife, PE

A Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, até a metade do século XVII, estava localizada no antigo território da Barreta, correspondente a toda a área costeira, que se estendia desde o frontal do Pina até a povoação das Candeias. Não se tem conhecimento, porém, de uma fonte precisa que assegure a data da abertura da igreja. Antes de 1848, o templo pertencia à paróquia de Nossa Senhora da Paz, em Afogados; e, só em 8 de setembro daquele ano, conseguiu ser elevado ao nível de paróquia independente. O documento mais antigo sobre a igreja, é uma escritura datada de 6 de junho de 1707.

Nela, Balthazar da Costa Passos e sua esposa, Ana de Araújo Costa, doam, ao padre Leandro Camelo, um local onde havia um “oratório ou presepe a Jesus e Maria, juntamente com o solo que estava perto, que era um sítio de terras na Barreta, com cem braços de frente e uma légua de fundo, desde a praia até o Rio Jordão”. Ainda por testamento, aqueles doadores (por serem muito religiosos) anexam, ao patrimônio da capela, mais um sítio, ao lado, “com 500 braços de terra, com trinta e tantos pés de coqueiros, onde está uma casa de taipa à venda, em que antigamente morava Manuel Setubal”.

Uma outra informação, extraída de documentos históricos, ressalta que o padre Leandro Camelo, empregando tudo o que possuía, manda fazer uma imagem com o título da Boa Viagem, em obséquios de Maria Santíssima, colocando-a em uma magnífica Igreja que erige, distando duas léguas do Recife, sobre as praias do mar. Segundo os estudiosos do assunto, a Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, no período do Brasil-colônia, embora modesta, representava um dos templos de maior rendimento patrimonial do Recife.

O seu usufruto era de cinco grandes sítios, quatro pequenos, e vinte casas térreas no povoado, além de um pequeno sítio de coqueiros na praia, doado pelo padre Luís Marques Teixeira, com o único compromisso de ser retirada, de sua renda, “a quantia necessária para se conservar acesa dia e noite a lâmpada da capela-mor da Igreja”. As grandes reformas, na Capela de Nossa Senhora da Boa Viagem, são iniciadas em 1862. No lugar do prédio anterior, ergue-se um novo, com uma estrutura mais solene. Existia, antes disso, uma pequena igreja com linhas simplórias, e um alpendre erguido em sua frente, que mais parecia um daqueles templos modestos da zona rural. Vale ressaltar que o acesso a Boa Viagem, no começo do século XX, era bastante difícil. Em 1908, por exemplo, de acordo com os estudiosos do assunto, via-se, apenas, umas 60 casas de construção regular, desalinhadas, e uma capela. A povoação só apresentava alguma vida nos meses de setembro a março, período em que a estação balneária era freqüentada. Distando 11 km do centro do Recife, Boa Viagem só toma impulso depois que a Avenida Beira-Mar é construída. Isto possibilita à população utilizar o bonde elétrico para ir à praia. Antes disso, porém, em se tratando de transporte público, só havia uma linha de bondes, puxados por burros, inaugurada em 1899. Outro fator relevante para o crescimento de Boa Viagem é a construção, depois da Segunda Guerra Mundial, dos aeroportos civil e militar, no Ibura; assim como do hospital dos norte-americanos, e do Parque da Aeronáutica, em Piedade. Durante a grande reforma (1862), os religiosos preservaram alguns altares, entre os quais o da sacristia da Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem. Datado de 1745, esse altar foi entalhado pelo mestre João Pereira, e dourado pelo artista Francisco Teixeira Ribeiro, no ano de 1772.

Igreja Matriz de São José, Recife

Única igreja em estilo neoclássico do centro do Recife, a Matriz de São José é uma construção do século XIX, com frontispício austero e torres pesadas, conforme ficou após uma discutida restauração. Há um trabalho na fachada: mosaicos azuis e brancos, num semicírculo, de Francisco Brennand.

Tochas com labaredas de pedra, adornam o muro do adro. Dois quadros dentro da igreja, de autor desconhecido, mostram Dom João Marques Perdigão, bispo da Diocese de Olinda, à época da construção do templo e o Deão Farias, personagem da época. Sua maior atração está nas portas internas da sua entrada principal, toda ela feita em pau-brasil.

A criação da Paróquia se deu em 02 de maio de 1844 e a bênção e festa de inauguração ocorreram nos dias 07 e 08 de dezembro de 1864. Seu vigário, há mais de três décadas, é o padre José Augusto Esteves, que tentou várias alternativas para conseguir recursos que permitissem iniciarem-se as obras emergenciais… Mas isso é quase impossível, diante dos danos identificados e da impossibilidade de receber-se ali o apoio público, por não ser a Matriz tombada, nem a nível estadual, como nacional. Sem a proteção oficial dos órgãos de patrimônio, reconhece-se apenas que ela se encontra em um perímetro de tombamento, incluída no inventário de patrimônios religiosos do estado que está sendo realizado pelo IPHAN

Igreja Nossa Senhora da Saúde, Poço da Panela – Recife

A Igreja de Nossa Senhora da Saúde, no bairro do Poço da Panela, teve sua construção concluída em 1772, recebendo ampliações no século seguinte, em estilo barroco. É atribuída ao mestre de campo Henrique Martins, que doou o terreno aos moradores locais, como forma de pagamento de uma promessa de sua esposa que sobreviveu à uma grave doença. Bairro do Poço da Panela, Recife, Pernambuco

Igreja Nossa Senhora do Livramento -Vázea Recife

Igreja de Nossa Senhora do Livramento: A igreja Nossa Senhora do Livramento constrida em 1811, pertencia a um grupo de homens escravos. Apesar da bela entrada, que conserva suas características primitivas, não está em perfeitas condições e por dentro já foi toda restaurada. Possui ainda um prédio de dois pavimentos no qual funcionou o seminário da Várzea, hoje apenas serve de morada para os padres casa provincial.

 

Igreja de Nossa Senhora da Escada. – ESCADA- PE

Primitivamente o município foi uma aldeia de índios das tribos Potiguaras, Tabujarés e Mariquitos(Indeterminado,pois os arquivos que provam a existências dessas tribos foram perdidos na histórica cheia de setenta que a atingiu).

O nome “Escada” provém da capela erguida por missionários da Congregação do Oratório, vinda de Portugal para a catequese dos índios. Como a capela estava localizada no alto do terreno, foi construída uma escada para dar acesso a um “nicho” em louvor a Nossa Senhora d’Apresentação, que ficou conhecida como Nossa Senhora da Escada.

O distrito de Escada foi criado pela Carta Régia de 27 de abril de 1786 e por Lei Municipal em 6 de março de 1893. A Lei Provincial nº 326, de 19 de abril de 1854, criou o município de Escada, com território desmembrado do município do Cabo de Santo Agostinho. A sede municipal foi elevada à cidade pela Lei Provincial nº 1.093, de 24 de maio de 1873. É formado pela Sede Administrativa, distritos de Massuassu e Frexeiras. As origens históricas do rico florescente município da Escada, remotendo-se a um aldeia de índios das tribos Meriquitos.

Potiguares e Tabajares, fundada em época muito remota, porém existentes em 1685, com a denominação de Aldeia de Nossa Senhora da Escada de Ipojuca. O Governador da província de Pernambuco, João da Costa Souto Maior, escreveu uma carta ao sargento-mor, comandante da Aldeia, determinado-lhe que fizesse os índios abandonarem o mato para se recolherem aos ranchos de Aldeia, continuassem com as obras da igreja e cuidassem da lavoura, ao mesmo tempo o Governador dava várias instruções sobre o bom regime moral e vida cristã dos índios. Situada a Aldeia à margem esquerda do rio Ipojuca, na distância de 10 léguas da praça do Recife e incumbia aos padres da Madre de Deus a direção espiritual dos índios, reza a tradição, que erigiram logo aqueles padres um oratório no alto da colina ao redor da qual estendia-se o aldeiamento, para cuja subida executaram uma escala de degraus cavados na argila e que desta circunstância vem a denominação de Nossa Senhora da Escada dada à Padroeira do Oratório, cuja imagem foi encontrada pelos índios no leito do rio Ipojuca, apesar de ter ela a inovação de Nossa Senhora da Apresentação. Em 1757, segundo relata Sebastião Galvão, tendo em vista documentos vários, observa-se que a Aldeia já era Povoação.

 

Aumentando dia a dia a população vários. Aumentando dia a dia a população do povoado, não apenas de índios, mas de colonos que, para ali acorriam em busca de amanho de terras tão férteis. Escada é foi, ainda, a cidade em que vivera Tobias Barreto, entre os anos de 1871-1881, onde publicara opúsculos em português e alemão, constituindo uma excêntrica e interessante atividade literária e intelectual na cidade.